A Colômbia termina 2017 com a taxa de homicídios mais baixa dos últimos 40 anos, num momento em que o governo e as guerrilhas de esquerda tentam concretizar acordos para pôr termo a um conflito armado com mais de meio século.

O país registou “um pouco menos de 11 mil homicídios em 2017”, declarou esta terça-feira o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas. “Registámos este ano uma taxa de 23 por 100 mil habitantes”, acrescentou, ao referir-se a menos 320 homicídios em comparação com 2016 e afirmando que “este ano vai ficar na história como o mais seguro em quatro décadas”.

No país que permanece o maior produtor mundial de cocaína, o Instituto de medicina legal, que ainda não divulgou o seu relatório anual, registou 11.532 homicídios em 2016″, uma média diária de mais de 30 mortes.

Segundo o Banco Mundial, e até 2015, a Colômbia surgia como o terceiro país da América latina com a taxa mais elevada de homicídios após a Venezuela (57,1 média diária) e o Brasil (26,7), contra uma média global de 5,3 para o planeta.

O Governo apresentou este balanço num ano em que a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, marxista) depôs as armas e se converteu num partido político com a mesma sigla, na sequência do acordo de paz assinado em novembro de 2016. Em paralelo, conduz negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN, de inspiração guevarista), a última rebelião ativa do país e em cessar-fogo bilateral com as forças militares e policiais colombianas até 09 de janeiro.

O ministro da Defesa recordou que a Colômbia registou uma média de 25 mil homicídios por ano na década precedente devido ao conflito interno, e que hoje a maioria das mortes e assassinatos são motivadas por rixas, violência doméstica ou assaltos por delinquentes comuns. “A principal causa é a intolerância (…) e deixou de ser o conflito armado”, acrescentou.

Bogotá foi a cidade da Colômbia onde se registou a maior diminuição dos homicídios, com uma taxa de 14,2%.