O dérbi entre Benfica e Sporting na noite desta quarta-feira continua a dar muito que falar, com os responsáveis encarnados a não calarem a sua indignação com a arbitragem de Hugo Miguel e a prestação de Tiago Martins, que ficou na sede da Federação Portuguesa de Futebol como responsável pelo vídeo-árbitro.

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Logo após o encontro, Rui Vitória, treinador das águias, já tinha deixado várias reparos à equipa da Associação de Futebol de Lisboa. “Marcaram penálti quase a acabar, um dos vários que houve, e vou estar atento à carreira destes dois árbitros, o Hugo Miguel e o Tiago Martins, para ver em situações do mesmo género que decisões vão tomar daqui para a frente. Depois, que esclareçam até quando e em que circunstâncias é que a consulta do VAR no recinto de jogo pelo árbitro tem de fazer sentido. Aqui deviam ter discutido e o árbitro devia ter tido essa oportunidade. Mas isto fala-se na aprendizagem. Esta questão deve ser esclarecida para não suscitar estas dúvidas”, referiu na BTV, depois de, já antes, ter abordado um lance que envolveu Jardel na área dos verde e brancos.

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Esta quinta-feira de manhã, através da conta oficial do Departamento de Comunicação no Twitter, o Benfica já se pronunciou de duas formas distintas. “Pressões e ameaças dão resultado. Um golo fora de jogo e quatro penáltis perdoados é demais”, começaram por escrever os responsáveis encarnados. “Hernâni Fernandes, atual quadro do SCP, ex-assistente de Hugo Miguel (com quem terá longa amizade), ex-observador, atualmente sob investigação do Ministério Público por ameaças e coação a árbitros, poderá explicar o fenómeno sobrenatural de se errar tantas vezes para o mesmo lado”, comentaram um pouco mais tarde ainda esta manhã.

No último caso, as águias recordam a abertura de processos a responsáveis do FC Porto (Pinto da Costa e Luís Gonçalves) e do Sporting (Bruno de Carvalho, André Geraldes e Hernâni Fernandes) por parte do Ministério Público, no seguimento de uma denúncia anónima, o que motivou um comunicado oficial do Benfica.

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“Desde a invasão do centro de treinos da Maia, de forma mais ou menos explícita, as ameaças e coações têm sido do conhecimento publico, com destaque para a forma sistemática como dirigentes do FCP têm colocado em causa a honorabilidade das equipas de arbitragem, como também pelas ameaças públicas de diversos membros dos grupos organizados de adeptos do FCP que, através do uso das suas redes sociais, visam árbitros e suas famílias. Não deixa de ser também preocupante verificarmos que, pelos indícios descritos, também o SCP, através de vários dos seus responsáveis, tenha estendido a sua pretensa aliança à prática das mesmas formas de coação e pressão que culminou na contratação de um ex-árbitro e observador para a sua estrutura com funções difíceis de enquadrar e entender”, destacavam os encarnados no texto colocado no site oficial a 23 de dezembro.