Mário Centeno garante que houve um “cumprimento escrupuloso do código de conduta a que todos os membros do Governo estão obrigados” na decisão que tomou de pedir ao Benfica para assistir a um jogo contra o Porto na bancada presidencial do Estádio da Luz. A resposta veio a partir de Bruxelas, onde o ministro das Finanças reuniu com o comissário europeu Valdis Dombrovskis sobre o Eurogrupo, ao qual preside. São as primeiras palavras sobre a noticia avançada pelo Observador de que o seu assessor diplomático pediu bilhetes para o ministro das Finanças e o seu filho poderem ver em direto o jogo em que o Benfica defrontou o Porto.

O jogo aconteceu a 1 de abril de 2017 já depois de estar em vigor o código de conduta que o Governo aprovou para disciplinar ofertas e convites a membros do Executivo após o Galpgate. Este caso levou à demissão de vários secretários de Estado investigados pela justiça depois de terem aceite convites da Galp para assistir a jogos do Euro 2016. As regras impedem os membros do Governo de aceitar ofertas ou convites de valor superior a 150 euros, mas a assistência de um jogo na bancada presidencial do Estádio da Luz não é suscetível de ser comprada. É apenas por convite.

O ministro das Finanças considera que esta é uma questão relevante para esclarecer, lembrando que o seu ministério já o fez em comunicado. Centeno retoma as justificações de razões de segurança que já tinham sido dadas pelo seu gabinete ao Observador.

“Há questões de segurança que são muito relevantes para todos os membros do Governo. E que são avaliadas com o corpo de segurança pessoal. Foi o contexto que levou a essa decisão”.

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E à pergunta “vai voltar a pedir bilhetes para ver o Benfica”, o ministro começa por dizer que a questão não se coloca. Mas reafirma que todas as decisões são tomadas com os mesmos princípios e “há questões de segurança que são determinantes nas tomadas de posição”. Mário Centeno deixa ainda uma intenção. “Há 45 anos que vejo jogos do Benfica e não espero deixar de os ver nos próximos tempos”.

Quando questionado por jornalistas portugueses sobre se este episódio pode beliscar a sua ação internacional como presidente do Eurogrupo, o ministro é categórico. “Não em definitivo”. Centeno sublinha a atitude de credibilização dos resultados económicos e orçamentais do país. “E é isso que vamos continuar a fazer, vamos demonstrar a importância de um processo orçamental credível”.