A secretária de Estado da Saúde, Rosa Zorrinho, rejeitou esta sexta-feira situações de caos no acesso às urgências hospitalares devido ao pico da gripe, mas garantiu não desvalorizar algumas “situações que não são agradáveis”, como a existência de “doentes em macas que já deviam estar no internamento”.

“Há situações que não são agradáveis e que não desvalorizamos”, disse a governante, destacando que o Serviço Nacional de Saúde está empenhado em “que essas situações sejam rapidamente minoradas para que os utentes tenham cada vez um melhor serviço”.

Rosa Zorrinho destacou que “o Serviço Nacional de Saúde tem mais 8 mil profissionais do que tinha em 2014”, e que para este período do pico gripal foram contratados “cerca de mil profissionais, entre médicos, enfermeiros e assistentes operacionais”, ao mesmo tempo que foram alargados os horários em “mais de 200 centros de saúde”.

Segundo a secretária de Estado, a linha de apoio SNS24 está a funcionar “como nunca” e o número de chamadas tem aumentado, o que mostra que “os utentes estão a recorrer cada vez mais” aos serviços de cuidados primários e também aos centros de saúde.

A secretária de Estado sublinhou ainda o “grande empenho dos profissionais” do Serviço Nacional de Saúde no sentido de “reorganizar” os serviços para dar resposta à grande afluência de utentes às urgências. De visita ao hospital Amadora-Sintra, Rosa Zorrinho exemplificou: “Como podem verificar aqui, hoje não temos doentes em maca”.

Nos últimos dias, enfermeiros de vários pontos do país têm denunciado situações de sobrelotação dos serviços de urgência, queixando-se de falta de condições para atender todos os doentes que se dirigem àqueles serviços devido ao pico da gripe.

Fotografias divulgadas por enfermeiros de Faro, Guimarães e Leiria mostravam várias macas com doentes a aguardar internamento em várias zonas dos hospitais. As administrações dos hospitais têm negado as acusações de caos, dizendo que os planos de contingência têm sido suficientes para fazer frente ao pico da gripe.

Na linha da frente da contestação tem estado a Ordem dos Enfermeiros, que aplaudiu publicamente a denúncia dos enfermeiros de Faro e apelou a que enfermeiros do resto do país seguissem o exemplo, denunciando situações semelhantes. As queixas referem-se sobretudo à falta de profissionais — enfermeiros e auxiliares — para atender os doentes.

A afluência aos serviços de urgência atinge por estas semanas o seu pico anual, fixando-se nos cerca de 20 mil acessos diários em todo o país, sendo motivo de frequentes situações de sobrelotação.

Médicos, enfermeiros e investigadores consideram que a resposta a estas situações deve passar pela promoção dos cuidados primários, como os centros de saúde, os médicos de família e a linha SNS24, evitando que os utentes sigam para as urgências hospitalares sempre que apresentam sintomas de gripe.