Assédio Sexual

Assédio sexual. Vítimas confrontam Larry Nassar: “As meninas não ficam pequenas para sempre”

Esperam-se dias repletos de testemunhos das vítimas de abuso sexual cometido por Larry Nassar. As meninas de antes, hoje mulheres, confrontaram o médico contando em tribunal os episódios que viveram.

Larry Nassar na audiência de terça-feira, no Michigan

Getty Images

Aly Raisman revelou no ano passado que foi abusada sexualmente por Larry Nassar, o médico da seleção norte-americana de ginástica. A ela, seguiram-se Gabby Douglas, McKayla Maroney e, mais recentemente, a ginasta Simone Biles, uma das mais medalhadas ginastas olímpicas.

[Veja no vídeo os principais depoimentos das vítimas em tribunal contra o médico]

Esta terça-feira foi o dia em que o alegado agressor foi confrontado com as diversas acusações. Atletas e antigas ginastas da seleção dos Estados Unidos denunciaram o médico Larry Nassar na audiência de tribunal que se iniciou no Michigan, conta a CNN. Esperam-se agora vários dias de audiências, devido ao elevado número de anos de abuso de que é acusado: pelo menos 98 vítimas vão ser ouvidas.

Kyle Stephens, a primeira vítima a pronunciar-se, afirmou que a sua primeira experiência sexual aconteceu quando tinha seis anos. A ginasta revelou que Larry Nassar se masturbava em frente a ela e que colocava o dedo na sua vagina. Aos 12 anos, contou aos pais o que se estava a passar, mas eles não acreditaram. Agora Stephens enfrentou Nassar, dizendo-lhe que o abuso e que o seu tempo como homem livre tinham acabado. “As meninas não ficam pequenas para sempre”, afirmou. “Elas tornam-se mulheres fortes e voltam para destruir o teu mundo.”

Abuso sexual é muito mais do que um ato físico perturbador. [O abuso sexual] muda a trajetória de vida das vítimas e isso é algo que ninguém tem o direito de fazer”, disse Stephens.

Jogadora de voleibol no Estado do Michigan, Jennifer Rood-Bedford disse que recorreu a Nassar devido a lesões nos ombros, costas e pernas. Contudo, quando foi vista por ele, conta, Nassar começou a fazer pressão com os dedos na sua zona pélvica, justificando que fazia parte do tratamento. A atleta contou que ele falava sobre a vida, sobre o trabalho e sobre como aquele tratamento já tinha ajudado tanta gente, afirmando que gradualmente ele lhe introduzia os dedos na vagina.

Eu lembro-me de estar lá deitada e pensar ‘Isto é correto? Isto não me parece certo.’ Eu não sabia o que fazer”, afirmou Jennifer Rood-Bedford.

Também a mãe de uma vítima, Donna Markham, falou na audiência: levou a filha de 12 anos a ver Nassar para ter tratamento médico e, quando voltavam a casa, a filha Chelsey lavou-se em lágrimas e contou que ele tinha colocado os dedos, sem luvas, na sua vagina, mesmo com a mãe na sala. O trauma levou Chelsey a entrar num caminho de depressão e de drogas — em 2009, com 23 anos, Chelsey suicidou-se.

Durante a audiência, o antigo médico permaneceu de cabeça baixa, de olhos fechados e com as mãos a cobrir a cara, utilizando ocasionalmente um lenço para limpar as lágrimas.

Muitas das vítimas culparam a USA Gymnastics e a Universidade do Michigan, que continuaram a dar trabalho a Nassar mesmo depois dos abusos terem ocorrido. As duas instituições asseguram que tomaram medidas assim que souberam dos casos.

Recorde-se que, em novembro, Nassar declarou-se como culpado em sete acusações de crime de conduta sexual, tendo admitido que usou a sua posição como médico reconhecido e confiável para abusar sexualmente de meninas e adolescentes. O antigo médico da equipa de ginástica foi também condenado a 60 anos de prisão por posse de pornografia infantil.

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