Nem toda a gente gosta do conceito de ginásio. É o estar-se fechado. É as outras pessoas à volta a olhar. É as aulas de grupo lotadas. É as esperas para usar as máquinas. A lista de contras pode ser grande. E, de acordo com Harley Pasternak, treinador e nutricionista de muitas celebridades como Ariana Grande, Lady Gaga ou Megan Fox, ninguém precisa de ir ao ginásio para estar em forma. Ao site Business Insider, Pasternak disse que caminhar é a forma mais eficaz de perder gordura.

“O ginásio é onde se pode tonificar e fortalecer os músculos. Mas queimar gordura tem de ser fora do ginásio”, diz Pasternak, explicando que basta meia hora no ginásio para trabalhar partes especificas do corpo e que todo o treino cardiovascular deve ser feito em atividades ao ar livre. Mas para quem não tem paciência para estar horas num ginásio de manhã ou ao final do dia, é possível ter um treino eficaz ao ar livre?

Os ginásios tornaram-se um clube de gente popular

Vânia Duarte contou ao Observador que treinou toda a vida em ginásios, apesar de nunca ter gostado verdadeiramente. “Mas sempre lutei com a balança e sempre achei que a única forma de ter ter um corpo magro tinha de ser num ginásio, então nunca procurei outras opções. Há uns anos entrei para um ginásio da moda, fiz um plano alimentar dado por uma pessoa do ginásio que, afinal, não era nutricionista e depois de meses com uma dieta muito restrita e treinos intensos, fiquei bastante doente e fui internada no hospital“. Depois deste período, Vânia decidiu que os ginásios não eram para ela e descobriu os Outsiders Gym que fazem treinos na praia de Carcavelos e na de São Pedro de Estoril.

E longe das luzes artificiais, da música alta, das salas lotadas, Vânia explica que não há melhor forma de começar o dia do que a treinar com o mar e o céu como pano de fundo. Mas há mais a destacar: “As pessoas ajudam-se, apoiam-se e não há ninguém a olhar para o seu músculo ao espelho ou para a sua roupa de treino da moda. Sentia sempre que os ginásios se tinham tornado uma espécie de clube e, se queres ser popular, tens de usar os produtos X, vestir a roupa Y e comer de forma Z. No meu grupo outdoor há um grande respeito pelo corpo e pela individualidade. Tens pessoas de várias idades e condições físicas e cada um trabalha dentro das suas capacidades. Acredito mesmo que treinar ao ar livre reduz muito os níveis de stress e ansiedade”, partilha Vânia.

A falta de motivação dos ginásios

Susana Ribeiro treina no mesmo grupo de Vânia e diz que, com ela, não foi amor ao primeiro treino mas começou a sentir que precisava de um estimulo diferente para treinar. “Sempre fui a ginásios, umas vezes com personal treiner, outras sem, e acabava por nunca ir com regularidade porque não gostava de lá estar. Qualquer motivo era bom para faltar. Talvez me focasse um ou dois meses e depois estava outros três sem lá ir”, conta Susana. E esta falta de estímulo é uma situação regular. Quantas vezes não se inscreveu num ginásio e, ao fim de algum tempo, os meses começam a arrastar-se sem lá ir?

Para mim, estar fechada numa sala a olhar para uma parede e todo o ambiente de ginásio sempre foi algo com que nunca me identifiquei. O contacto com a natureza é a principal vantagem dos treinos outdoor e, apesar do treino não ter nada de zen, a verdade é que sinto imensa paz por treinar ali junto à praia.” Susana explica ainda que nunca conseguiu desassociar os treinos de ginásio com a perda de peso, a massa muscular, a massa gorda e esta quase obsessão é um estimulo negativo. “Hoje, com os treinos outdoor, tenho o foco no meu bem-estar. Não sou uma pessoa que adore treinar nem fico entusiasmada todas as manhãs, mas vou com gosto e saio de lá sempre bem-disposta. Se há algo que treinar assim me trouxe foi, sem dúvida, paz e equilíbrio.

7 opções de treinos ao ar livre em grupo

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  • Outduros: exercício ao ar livre para quem gosta de treinar e passar uma tarde animada, sempre ao domingo. Os locais em Lisboa são avisados pelo Facebook.
  • Outsiders Gym: treinos com vários acessórios que mistura treino de força com alta intensidade e circuitos cardiovasculares. Nas praias de Carcavelos e São Pedro do Estoril.
  • Outdoor Training Camp: treino funcional, com materiais e dinâmicas diferentes em espírito de grupo. Treinos no Parque da Paz em Almada e outros locais avisados pelo Facebook.
  • Atitude Outdoor: treino de proximidade em alternativa aos treinos convencionais. Todos os dias da semana em vários locais. Lisboa e Porto.
  • Academia Fitness Militar: treinos intensos de inspiração bootcamp. Treinos diários em várias zonas de Lisboa.
  • Powr Outdoor Fitness: treino outdoor desafiante e constantemente variado. Treinos diários em várias zonas de Lisboa.
  • Fhit Unit: treino funcional intenso e diversificado com espírito de equipa e motivação. Treinos diários na praia de Carcavelos e gratuitos ao fim-de-semana.

Treinos diversificados dos 18 aos 81 anos

A Fhit Unit especializou-se  em treinos funcionais de alta intensidade ao ar livre com desafios duros e intensos. Mas aí está o diferente do ginásio: os treinos são adaptados a todos os participantes para os tornar motivantes e minimamente divertidos para todo o grupo, por mais diversificado que seja. Sara Pozzetti, marketing manager da Fhit Unit, disse ao Observador que os grupos podem ter quer o rapaz atlético de 18 anos que está habituado a treinar diariamente, quer a senhora de 65 anos que não treina desde os seus 25. “A procura é mesmo assim tão eclética, desde os habituados a treinar, quer seja treino funcional, crossfit ou uma modalidade desportiva, até à pessoa que nunca treinou e quer, finalmente, mudar a sua vida em termos de exercício físico”, explica, dando ênfase à personalização que se consegue num treino ao ar livre.

“Temos notado uma procura exponencial, nestes três anos no terreno, de procura de vida saudável, de pessoas que querem melhorar o dia-a-dia e incluir o exercício na sua vida. O que nos dizem regularmente é que não gostam de se sentir presas em ginásios, não gostam de máquinas e que esta proposta é a que os motiva mais a querer ir efectivamente ao treino, de manhã ou ao final do dia”, conclui Sara Pozzetti.

Ao ar livre não há espelhos, nem música, nem telemóveis. Mas há motivação

É mais ou menos habitual, numa aula de grupo em ginásio, os participantes serem tantos que é impossível conseguir dar um acompanhamento mais personalizado a todos. Ali estamos nós, de frente para o espelho, com a música a gritar e os pesos nos ombros numa espécie de coreografia com o professor a gritar para motivar. Mas nem toda a gente se consegue motivar assim.

Vânia Duarte partilha que os treinos ao ar livre são uma excelente forma de dar uma quebra no dia para quem, como ela, passa horas dentro de um escritório.

“Acho que, acima de tudo, treinar outdoor dá-me mais consciência de mim mesma. Não há espelhos para estar a olhar, não há música alta nem ninguém a fazer poses. Existo eu e as minhas capacidades, um grupo que, tal como eu, quer cuidar de si e um professor dedicado que trabalha com toda a gente.”

Treinos ao ar livre é igual a motivação, diz Sara Pozzetti. Esta é a maior vantagem que os alunos da Fhit Unit partilham. “Treinar outdoor é toda uma nova experiência de treino e de estímulos e essa diversidade dá-nos motivação para sermos regrados e consistentes no exercício. Quando treinamos não treinamos apenas o corpo, a vertente psicológica também está a ser tratada e o que hoje em dia chamamos de “green exercise” acaba por ter um efeito extremamente positivo. Não há nada como utilizar os benefícios do outdoor a nossa favor para nos conseguirmos motivar a ir um pouco mais além e a ultrapassar limites que pensávamos serem impossíveis.” A isso acrescenta-se os treinos diversificados, adaptados a cada pessoa e acompanhados por profissionais da área.

É possível ver resultados fora do ginásio?

Pasternak diz que mesmo quem procura levar os treinos até outro nível e aumentar o tecido muscular, não é preciso ir ao ginásio de forma insana nem passar horas por dia a fazer mil e um exercícios e aulas. O ideal, de acordo com o profissional, seria três a cinco vezes por semana e, quantas mais vezes, menos tempo por dia num ideal de meia hora diária apenas para trabalhar os músculos.

E isso também se consegue ao ar livre com os grupos que utilizem acessórios e pesos. “Os grupos de treino ao ar livre não são grandes e cada exercício é adaptado a cada participante. O professor conhece as características de cada um de nós e, sempre que necessário, indica exercícios alternativos. Por isso, sim, é possível evoluir nos treinos ao nosso ritmo e ver resultados”, conclui Susana Ribeiro.