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EUA. Antigo diretor adjunto do FBI despedido a dois dias da reforma

Andrew McCabe foi diretor adjunto do FBI até janeiro, mas saiu na sequência das críticas de que foi alvo por parte de Trump. Num ano de mandato, Trump já despediu 20 elementos da sua administração.

Andrew McCabe foi diretor interino do FBI depois da demissão de James Comey e foi diretor adjunto até janeiro

JIM LO SCALZO/EPA

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, despediu na noite desta sexta-feira o antigo diretor adjunto do FBI Andrew McCabe, a menos de dois dias de McCabe se poder reformar.

O presidente Donald Trump confirmou a demissão pouco depois, no Twitter, onde escreveu: “Andre McCabe despedido, um grande dia para os homens e mulheres que trabalham no FBI. Um grande dia para a democracia. O hipócrita do James Comey era o chefe dele e fez McCabe parecer um menino de coro. Ele sabia tudo sobre as mentiras e a corrupção ao mais alto nível no FBI”.

Na noite de sexta-feira, McCabe reagiu à demissão. “Este ataque à minha credibilidade é parte de um esforço maior não apenas para me caluniar, mas também para manchar o FBI, as autoridades e os profissionais dos serviços de informação”, disse o antigo diretor adjunto em declarações citadas pela CNN.

A demissão, continou McCabe, “é parte da guerra desta administração contra o FBI e os esforços da investigação do conselho especial [que está a investigar a interferência russa nas eleições], que continua até hoje”. “A persistência deles nesta campanha só reforça a importância do trabalho do conselho especial”, afirmou.

Andrew McCabe foi o diretor interino do FBI no verão passado, quando Donald Trump despediu James Comey, o diretor da agência que reabriu a investigação aos emails de Hillary Clinton e que ajudou a reverter o rumo da campanha eleitoral, dando a vitória ao empresário.

Contudo, Comey viria a ser despedido por ter assumido que o FBI estava a investigar a interferência russa nas eleições, afirmando mesmo que a investigação seguiria as provas até onde elas levassem — incluindo a Trump.

Donald Trump parece ter centrado em Andrew McCabe todo o azedume que lhe causa a investigação que procura esclarecer se a equipa de campanha do multimilionário norte-americano se concertou com os russos para influenciar os resultados das eleições presidenciais de 2016.

Um exemplo disso foi quando o chefe de Estado repreendeu publicamente o seu procurador-geral, Jeff Sessions, por não ter despedido Andrew McCabe na altura em que este era diretor interino do FBI.

Pouco depois de demitir Comey da direção da polícia federal, Trump convocou à Casa Branca Andrew McCabe, a quem cabia a tarefa de dirigir interinamente o prestigiado departamento centenário de 30 mil funcionários ciosos da sua independência, e perguntou-lhe em quem tinha ele votado nas presidenciais, de acordo com uma reportagem publicada no Washington Post.

Depois da saída de Comey, Andrew McCabe foi confrontado com várias questões sobre o funcionamento interno da organização e as (alegadas) relações entre a campanha de Trump e responsáveis russos. Quando foi ouvido pelo Congresso norte-americano, McCabe garantiu que o organismo de investigação que dirige temporariamente não era abalado por pressões.

Em janeiro, Andrew McCabe demitiu-se de diretor adjunto com efeitos imediatos na sequência das críticas de que foi alvo por parte de Donald Trump — era público que o presidente queria McCabe fora da liderança do FBI.

Contudo, McCabe ficaria como funcionário do FBI até este domingo, dia em que completará 50 anos de idade, passando a ser elegível para receber os benefícios da reforma antecipada. A demissão imposta pela Casa Branca na sexta-feira poderá pôr em causa esses benefícios.

Donald Trump está em funções há pouco mais de um ano mas já demitiu 20 elementos da sua administração e motivou várias outras em organismos estatais. A saída mais recente foi a de Rex Tillerson, o secretário de Estado, demitido na no início desta semana.

Advogado de Trump espera que demissão leve ao fim da investigação à interferência russa

O advogado pessoal de Donald Trump, John Dowd, reagiu a esta demissão afirmando esperar que a saída de McCabe leve o procurador-geral adjunto a encerrar de vez a investigação à interferência russa nas eleições norte-americanas.

Citado pelo The Guardian, Dowd afirmou que “reza” para que Rod Rosenstein, o procurador-geral adjunto que está a supervisionar a investigação do procurador especial Robert Mueller, “siga o brilhante e corajoso exemplo do departamento de responsabilidade profissional do FBI e do procurador-geral Jeff Sessions e ponha fim à investigação ao alegado conluio com a Rússia, fabricada pelo chefe de McCabe, James Comey, e baseada num dossiê corrupto e fraudulento”.

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