O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, despediu na noite desta sexta-feira o antigo diretor adjunto do FBI Andrew McCabe, a menos de dois dias de McCabe se poder reformar.

O presidente Donald Trump confirmou a demissão pouco depois, no Twitter, onde escreveu: “Andre McCabe despedido, um grande dia para os homens e mulheres que trabalham no FBI. Um grande dia para a democracia. O hipócrita do James Comey era o chefe dele e fez McCabe parecer um menino de coro. Ele sabia tudo sobre as mentiras e a corrupção ao mais alto nível no FBI”.

Na noite de sexta-feira, McCabe reagiu à demissão. “Este ataque à minha credibilidade é parte de um esforço maior não apenas para me caluniar, mas também para manchar o FBI, as autoridades e os profissionais dos serviços de informação”, disse o antigo diretor adjunto em declarações citadas pela CNN.

A demissão, continou McCabe, “é parte da guerra desta administração contra o FBI e os esforços da investigação do conselho especial [que está a investigar a interferência russa nas eleições], que continua até hoje”. “A persistência deles nesta campanha só reforça a importância do trabalho do conselho especial”, afirmou.

Andrew McCabe foi o diretor interino do FBI no verão passado, quando Donald Trump despediu James Comey, o diretor da agência que reabriu a investigação aos emails de Hillary Clinton e que ajudou a reverter o rumo da campanha eleitoral, dando a vitória ao empresário.

Contudo, Comey viria a ser despedido por ter assumido que o FBI estava a investigar a interferência russa nas eleições, afirmando mesmo que a investigação seguiria as provas até onde elas levassem — incluindo a Trump.

Donald Trump parece ter centrado em Andrew McCabe todo o azedume que lhe causa a investigação que procura esclarecer se a equipa de campanha do multimilionário norte-americano se concertou com os russos para influenciar os resultados das eleições presidenciais de 2016.

Um exemplo disso foi quando o chefe de Estado repreendeu publicamente o seu procurador-geral, Jeff Sessions, por não ter despedido Andrew McCabe na altura em que este era diretor interino do FBI.

Pouco depois de demitir Comey da direção da polícia federal, Trump convocou à Casa Branca Andrew McCabe, a quem cabia a tarefa de dirigir interinamente o prestigiado departamento centenário de 30 mil funcionários ciosos da sua independência, e perguntou-lhe em quem tinha ele votado nas presidenciais, de acordo com uma reportagem publicada no Washington Post.

Depois da saída de Comey, Andrew McCabe foi confrontado com várias questões sobre o funcionamento interno da organização e as (alegadas) relações entre a campanha de Trump e responsáveis russos. Quando foi ouvido pelo Congresso norte-americano, McCabe garantiu que o organismo de investigação que dirige temporariamente não era abalado por pressões.

Em janeiro, Andrew McCabe demitiu-se de diretor adjunto com efeitos imediatos na sequência das críticas de que foi alvo por parte de Donald Trump — era público que o presidente queria McCabe fora da liderança do FBI.

Contudo, McCabe ficaria como funcionário do FBI até este domingo, dia em que completará 50 anos de idade, passando a ser elegível para receber os benefícios da reforma antecipada. A demissão imposta pela Casa Branca na sexta-feira poderá pôr em causa esses benefícios.

Donald Trump está em funções há pouco mais de um ano mas já demitiu 20 elementos da sua administração e motivou várias outras em organismos estatais. A saída mais recente foi a de Rex Tillerson, o secretário de Estado, demitido na no início desta semana.

Advogado de Trump espera que demissão leve ao fim da investigação à interferência russa

O advogado pessoal de Donald Trump, John Dowd, reagiu a esta demissão afirmando esperar que a saída de McCabe leve o procurador-geral adjunto a encerrar de vez a investigação à interferência russa nas eleições norte-americanas.

Citado pelo The Guardian, Dowd afirmou que “reza” para que Rod Rosenstein, o procurador-geral adjunto que está a supervisionar a investigação do procurador especial Robert Mueller, “siga o brilhante e corajoso exemplo do departamento de responsabilidade profissional do FBI e do procurador-geral Jeff Sessions e ponha fim à investigação ao alegado conluio com a Rússia, fabricada pelo chefe de McCabe, James Comey, e baseada num dossiê corrupto e fraudulento”.