Música

Tremor dia 1 (ou será dia zero?): começar a subir na escala de Richter

Terça-feira houve uma espécie de recepção ao campista num festival sem tendas: noite de aquecimento que começou com bandas filarmónicas e acabou com trava-línguas.

Diogo Lopes/Observador

Autor
  • Luís Leal Miranda
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Os primeiros abalos do Tremor 2018 manifestaram-se às 19h30, no Teatro Micaelense, mas podem muito bem ter passado ao lado dos sismógrafos – ou confundidos com a passagem de um autocarro.

Começou com um filme que não é um filme: “Vejam este filme como uma fotografia”, anunciou Daniel Blaufuks antes da exibição de “Levantados do Chão”, o tal não-filme que nos mostra uma banda filarmónica a percorrer o fantasmagórico hotel Monte Palace, abandonado desde o início dos anos 90 e a ser reclamado de volta pela natureza.

O filme, perdão, a fotografia, é uma espécie de visita guiada pela ruína que também pode ser interpretado como o videoclipe mais estranho que a Banda Lira Sete Cidades já fez.

O Hotel Monte Palace abriu em 1989 e fechou ano e meio depois. Ficou ali, no topo de uma colina a vigiar a Lagoa das Sete Cidades, como monumento ao excesso de ambição ou um aviso para todos os que pensam investir na hotelaria insular. O edifício esteve vigiado até 2011, mas depois do segurança partir foi saqueado: sanitas, bidés, banheiras, azulejos, apliques e espelhos desapareceram, só para dar exemplos das casas de banho.

No final da projecção houve um concerto da Banda Lira Sete Cidades, agora ao vivo, que nos obrigou a esta reflexão: há quanto tempo não vêem uma banda filarmónica? Há quanto tempo não apoiam o clube da vossa terra? Há quanto tempo não ligam às vossas mães? Façam-no enquanto é tempo.

Os cabeças de cartaz desta primeira noite eram os Três Tristes Tigres, banda sensação do início dos anos 90 que, ao contrário do Hotel Monte Palace (outra sensação do início dessa década), conseguiu conviver saudavelmente com a passagem do tempo. As canções mantém-se intactas, frescas, capazes de resistir à fúria dos elementos.

Depois deste concerto, o rato roeu a garrafa de rum do rei da Rússia e algumas pessoas preferiram ir para casa prepara-se para os próximos estremecimentos.

O Observador viajou a convite da Azores Airlines, da Visitazores e do Neat Hotel Avenida.

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Helena Matos

O PS manda. O PCP governa-se. O BE policia. O PR diverte-se. A democracia apodrece. E, sim, porque havemos de querer contrariar este estado de coisas? Não podemos deixar-nos ir simplesmente?

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