Já se conhecem os finalistas do Man Booker International Prize, prémio criado para incentivar a publicação e leitura de ficção de qualidade traduzida para língua inglesa. A lista dos seis finalistas foi divulgada ao final da tarde desta quinta-feira a partir da Somerset House, em Londres, pela presidente do júri, Lisa Appignanesi. Entre os candidatos anunciados contam-se o espanhol Antonio Muñoz Molina, o iraquiano Ahmed Saadawi e a sul-coreana Han Kang, galardoada em 2016 com o mesmo prémio. De fora ficaram nomes como Laurent Binet, Javier Cercas ou Wu Ming-Yi.

No discurso de apresentação, Lisa Appignanesi começou por chamar a atenção para o facto de o Reino Unido ter muita sorte em a língua ser falada por milhões de pessoas no mundo inteiro, o que faz com que os livros publicados no país cheguem a leitores de todas as nacionalidades. Isso, porém, tem feito com os britânicos tenham tido preguiça em conhecer outras línguas, outras culturas. “Temos sido preguiçosos em reconhecer que existem outras línguas e literaturas que fazem parte do globo”, disse, admitindo que cresceu numa casa “onde as frases começavam numa língua” e acabavam noutra. “Se não fosse pela tradução, não tinha sobrevivido à infância”, brincou a presidente do júri de 2018 do Man Booker International.

Agradecendo a todas as editoras pequenas e de médio tamanho por se terem dedicado à tradução para inglês, permitindo que novos “entendimentos” e “simpatias entrassem pela nossa casa através da literatura”, Lisa Appignanesi descreveu os candidatos ao Booker International deste ano como “livros iluminados”. “Adoro-os a todos. Gostava de estender a nossa deliberação por muitos, muitos anos”, afirmou, confessando que escolher os seis finalistas “não foi fácil”. “Selecionámos aqueles que perduraram na nossa imaginação depois de várias leituras. São livros de várias formas e assuntos, com traduções enérgicas.”

Num vídeo divulgado pela fundação, Hari Kunzru, outro membro do júri, salientou que ler cada um dos seis finalistas é uma “experiência maravilhosa” e que essa é a forma “mais pura de julgar um livro”. Tim Martin, também jurado, chamou a atenção para a diversidade shortlist e que a decisão final foi tomada com base na “qualidade” dos romances. Uma opinião que foi partilhada pelos restantes membros do júri, Helen Oyeyemi e Michael Hofmann, que também lembraram a multiplicidade de abordagens e temas dos seis romances finalistas.

A lista dos seis finalistas do Man Booker Prize International de 2018 é a seguinte:

  1. Vernon Subutex 1, de Virginie Despentes (França). Traduzido por Frank Wynne e publicado pela MacLehose Press;
  2. The White Book, de Han Kang (Coreia do Sul). Traduzido por Deborah Smith publicado pela Portobello Books;
  3. The World Goes On, de László Krasznahorkai (Hungria). Traduzido por John Batki, Ottilie Mulzet e George Szirtes e publicado pela Tuskar Rock Press;
  4. Like a Fading Shadow, de Antonio Muñoz Molina (Espanha). Traduzido por Camilo A. Ramirez e publicado pela Tuskar Rock Press;
  5. Frankenstein in Baghdad, de Ahmed Saadawi (Iraque). Traduzido por Jonathan Wright e publicado pela Oneworld;
  6. Flights, de Olga Tokarczuk (Polónia). Traduzido por Jennifer Croft e publicado pelas Fitzcarraldo Editions.

Divulgada programação do festival de comemoração dos 50 anos do Booker

O Man Booker Prize faz 50 anos e, para comemorar, criou um evento especial. O Man Booker 50 Festival, que irá decorrer de 6 a 8 de julho, no Southbank Centre, um centro de artes em Londres, tem como objetivo “celebrar 50 anos da melhor ficção” em língua inglesa, mas também dar a conhecer os vencedores do Booker a “novas audiências”, explicou a organização.

O programa do festival, divulgado esta semana, inclui debates, leituras e masterclasses. Ao todo, passarão por Londres mais de 60 convidados, onde se incluem 15 vencedores do Man Booker Prize, como Kazuo Ishiguro ou Paul Beatty. Outros, como Peter Carey ou Hilary Mantel, irão juntar-se em palco para falar sobre ficção histórica, enquanto Alan Hollinghurst e Marlon James irão comparar a forma como retrataram a homossexualidade nos seus romances vencedores. Anne Enright e David Grossman irão discutir o futuro do romance.

Helena Kennedy, presidente da Booker Prize Foundation, explicou ao The Guardian que o objetivo do festival é “dar a conhecer o passado, o presente e o futuro do prémio, celebrar os últimos 50 anos e olhar para a frente para as novas vozes da literatura e reconhecer o poder da arte”. Ted Hodgkinson, do Southbank Centre, considerou que o Man Booker 50 Festival é um “encontro de brilhantismo literário”. “Uma convergência tão rara de escritores de renome de vários géneros, geografias e décadas do Man Booker Prize é importante para fazer um balanço da importância dos romances vencedores e de como eles capturaram, durante meio século, o nosso mundo em mudança.”

No último dia do evento, será entregue o Golden Man Booker Prize, atribuído ao melhor trabalho de ficção das últimas cinco décadas. Este será escolhido de entre os vencedores do galardão britânico a partir de uma seleção previamente feita pelo júri, que será divulgada no dia 26 de maio no Hay Festival, no País de Gales. Numa segunda fase da votação, os escolhidos irão competir numa votação aberta ao público, que irá decorrer no site oficial Booker até 25 de junho.

O vencedor do Man Booker International Prize será anunciado a 22 de maio. Em 2017, o prémio foi atribuído ao israelita David Grossman, autor de Um Cavalo Entra num Bar, traduzido por Jessica Cohen e publicado pela editora inglesa Jonathan Cape. A primeira lista de nomeados para o Man Booker Prize será revelada a 24 de julho, depois do Man Booker 50 Festival. A shortlist será conhecida dois meses depois, a 20 de setembro, e o grande vencedor, que irá suceder a George Saunders, a 16 de outubro.