PSD

Um mês depois, Rio revela governo-sombra do PSD

Nomes vão finalmente ser revelados esta tarde. Entre coordenadores e porta-vozes de 16 áreas sectoriais, organismo presidido por David Justino vai preparar o futuro programa eleitoral do PSD.

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Mais de um mês depois de ter anunciado que iria reativar o Conselho Estratégico Nacional do partido, uma estrutura que funciona como uma espécie de governo-sombra, Rui Rio vai finalmente anunciar os nomes dos seus “ministros” e “porta-vozes”. Serão cerca de 32 nomes, entre coordenadores e porta-vozes, que vão ser dirigidos pelo vice do PSD David Justino e que vão funcionar em articulação com a bancada parlamentar e as estruturas distritais do partido. A ideia, explicou Rui Rio há mais de um mês, é fazer uma “revolução” no funcionamento do partido e envolver todos na elaboração do futuro programa eleitoral do PSD.

O líder do PSD disse querer manter os nomes em segredo durante o processo, mas vários foram os nomes que foram sendo revelados à comunicação social, segundo o próprio por outras fontes que não Rio. O líder do PSD deu apenas como certo o nome de Arlindo Cunha, ex-ministro de Cavaco Silva, que vai coordenar a área da Agricultura, e o de David Justino, ex-assessor de Cavaco na Presidência da República e atual vice-presidente do PSD, que vai coordenar os coordenadores, na qualidade de presidente do Conselho Estratégico Nacional.

Não se conhecem, para já, nomes de mulheres, havendo muitas críticas internas sobre a média avançada de idades dos “ministros” escolhidos — e do passado que trazem às costas, muitos deles ligados aos governos de Cavaco Silva.

A verdade é que os próprios envolvidos foram confirmando os convites à comunicação social. É o caso de Ângelo Correia, ex-ministro da Administração Interna no início da década de 80, que confirmou ao jornal Eco que iria ser o “ministro” de Rio para a área da Defesa. Desde a zanga com Passos Coelho — de quem chegou a ser uma espécie de conselheiro — que Ângelo Correia não participava na vida interna do PSD. E, mesmo aí, era uma ligação mais a nível pessoal do que política. Para encontrar um cargo partidário é preciso recuar à presidência de Luís Filipe Menezes: Ângelo Correia foi presidente da Mesa do Congresso entre 2006 e 2007.

O Observador confirmou que José Matos Correia, atualmente deputado e vice-presidente da Assembleia da República, vai ser o coordenador na área da Administração Interna. Nas Finanças Públicas, o coordenador deverá ser Álvaro Almeida, que foi candidato do PSD à Câmara do Porto nas últimas autárquicas, e teve um resultado considerado desastroso. O economista só se tornou militante do PSD este ano, pela mão de Rui Rio, que quis dar um sinal de que pretendia levar “independentes” para dentro do partido.

Para a área da Reforma do Estado e Descentralização, o nome escolhido deverá ser o de Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda que foi também o escolhido de Rio para liderar as negociações com o Governo sobre o dossiê da descentralização. Na pasta da Solidariedade e Bem Estar estará Silva Peneda, ex-presidente do Conselho Económico e Social, que deverá ter como porta-voz António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e nome muito próximo de Rui Rio. A revista Sábado adiantou ainda que Luís Filipe Pereira, antigo ministro da Saúde de Durão Barroso, deverá ser o coordenador para a área da Saúde. Haverá 16 áreas temáticas.

Há uma semana, em vésperas de Rio reunir o seu primeiro Conselho Nacional, onde se esperava que, além da análise da situação política, revelasse também a composição do Conselho Estratégico Nacional, David Justino dizia ao Observador que os nomes dos “ministros-sombra” seriam revelados num momento próprio para terem o devido destaque. “É um leque qualificado de gente nova, por isso merece que seja dado algum relevo à divulgação dos nomes”, dizia na altura, explicando que a ideia é os coordenadores serem pessoas “com mais experiência governativa e de coordenação”, e os porta-vozes serem personalidades “com vontade e conhecimento na área, mas menos peso político”. “Se calhar não conseguimos em todas as áreas, mas na maior parte conseguimos lançar gente nova”, dizia ainda.

Nem em todas as áreas, contudo, haverá duplicação de funções, explicava ainda o presidente do organismo — havendo algumas em que o coordenador assumirá também funções de porta-voz.

O trabalho do CEN vai ser articulado com o grupo parlamentar através do líder parlamentar, Fernando Negrão, e do vice da bancada António Leitão Amaro, que vão trabalhar diretamente com David Justino. Além desta articulação de topo, haverá ainda “um ou dois deputados” a coordenar cada área temática — que vão trabalhar em articulação com os coordenadores nacionais. David Justino explicava ainda ao Observador que outro dos objetivos de Rui Rio é “descentralizar”, pelo que “várias secções nacionais vão funcionar fora de Lisboa”.

Depois de alguns nomes terem sido lançados para a comunicação social, o líder do PSD agarrou o dossiê para não permitir mais fugas de informação. “A ideia é não haver uma abordagem diferenciada, em que uns parecem mais importantes do que outros, por isso devem ser todos anunciados de uma vez”, dizia também David Justino. A composição oficial do “governo-sombra” vai assim ser anunciada esta tarde, pelas 17 horas, na sede do partido em Lisboa.

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