Síria

Rússia nega manipulação de provas sobre alegado ataque químico em Douma

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, referiu-se a uma "montagem" em Douma e negou a utilização de armamento químico contra essa localidade.

MAXIM SHIPENKOV/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, negou esta segunda-feira que o seu país tenha “manipulado” as provas do suposto ataque químico na cidade síria de Douma a 7 de abril e denunciou uma “montagem”. “Posso garantir que a Rússia não manipulou o lugar”, assegurou Lavrov em declarações à cadeia televisiva britânica BBC na sequência do ataque aliado contra instalações onde, supostamente, o regime de Bashar al-Assad fabricou e armazenou armamento químico.

O chefe da diplomacia russa referiu-se a uma “montagem” em Douma e negou a utilização de armamento químico contra essa localidade, que justificou os ataques aéreos de sábado pelos Estados Unidos, Reino Unido e França. “Não posso ser indelicado com os chefes de outros Estados, mas foram citados os líderes da França, Reino Unido e EUA e, falando com sinceridade, todas as provas que eles referem são baseadas em informações dos ‘media’ e das redes sociais”, acrescentou na entrevista.

“O que aconteceu foi uma montagem”, insistiu o ministro, que emitiu estas declarações no dia em que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAC) celebra uma reunião em Haia. Os inspetores da OPAQ ainda não conseguiram obter o acesso a Douma, de acordo com a delegação britânica desta organização.

O chefe da equipa britânica da OPAQ, Peter Wilson, disse esta segunda-feira à Rússia e ao Irão, aliados do regime de Damasco, que “devem cooperar” com a investigação e advertiu que o acesso à zona do ataque é “essencial” para o trabalho dos peritos. Lavrov acrescentou que a Rússia e o ocidente estão a assistir a momentos mais difíceis que durante a Guerra fria, devido à ausência de canais de comunicação entre as duas partes, sugerindo que as relações entre Washington e Moscovo estão “piores” que nesse período.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram no sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte das forças do governo do presidente sírio, Bashar al-Assad. A primeira-ministra britânica Theresa May decidiu juntar-se aos bombardeamentos de EUA e França sem consultar previamente o parlamento de Westminster. O ataque também foi desencadeado à revelia de qualquer decisão da ONU.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ataque químico de 7 de abril provocou 70 mortos, com 43 das vítimas a apresentarem quadros relacionados com substâncias tóxicas. Cerca de 500 pessoas também receberam assistência médica com sintomas de exposição a agentes químicos.

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