Carlos César, líder parlamentar e presidente do PS, assumiu esta quarta-feira que o partido sente “vergonha” das suspeitas de corrupção que recaem sobre Manuel Pinho, mas — e sobretudo — do caso que envolve José Sócrates e a acusação que sustenta a Operação Marquês. “A vergonha até é maior porque era primeiro-ministro”, reconheceu o socialista. Ao fim do dia acrescentou dois pontos ao que tinha dito, acabando por refrear as declarações: “os políticos são sérios pessoas sérias” e o PSD também tem casos de justiça semelhantes.

Em declarações à TSF, no programa de comentário político “Almoços Grátis”, o socialista não escondeu que os casos de alegada corrupção são tema recorrente nas discussões internas do partido e que existe um sentimento de “raiva” entre os socialistas perante a possibilidade de alguém se ter aproveitado do partido para obter ganhos pessoais.

Ficamos entristecidos. Ficamos até enraivecidos com pessoas que se aproveitam dos partidos políticos, e designadamente do nosso, [para ter] comportamentos desta dimensão e desta natureza. Ficamos revoltados com tudo isto”, insistiu Carlos César.

Com Luís Montenegro, ex-líder parlamentar do PSD e outro dos intervenientes do frente-a-frente semanal organizado pela TSF, a questionar a dualidade de critérios do PS em relação aos dois casos — “no que é que José Sócrates é diferente de Manuel Pinho?” –, Carlos César garantiu que o PS não ficará em silêncio perante este tipo de suspeitas.

“Quando os políticos se encontram perante a necessidade de escrutinar alguém sob alçada da justiça não podem nem devem prescindir de o fazer”, notou. Uma posição que contrasta com a gestão política que o PS tem feito do caso que envolve José Sócrates — desde a detenção do ex-primeiro-ministro, a 21 de novembro de 2014, António Costa e outros dirigentes do partido foram repetindo de uma ou de outra forma a frase “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça” para não se pronunciarem sobre o processo.

Mais tarde…

Horas mais tarde destas primeiras declarações, já ao fim da tarde, o mesmo Carlos César voltou a falar do assunto, desta vez nos Açores depois de uma reunião com o vice-presidente do Governo Regional, e já num tom mais recuado. E a chamar o PSD à responsabilidade. Aos jornalistas, na ilha Terceira, o socialista voltou a fazer o mea culpa: “Quando alguns dos que serviram o fizeram confundindo a sua atividade com interessee próprio ou interesses clientelares e com actos de corrupção, sentimo nos entristecidos e revoltados”. Para logo a seguir acrescentar que ” o PS sente-se assim como os outros partidos se sentiram quando tiveram inúmeros casos ao longo destas décadas de democracia”. Os casos, assegura, são “transversais e mais frequentes nos partidos que exercem funções de poder e de Governo. É natural que tenham acontecido alguns casos que tenham responsabilidades com o PS, como também foi frequente em casos em que tinham responsabilidade atribuídas pelo PSD”.

Sobre a classe política, o líder parlamentar e presidente do PSD garantiu que os casos que surgem “constituem uma minoria“, “é importante que não se tome a nuvem por Juno”.

Era muito importante que os portugueses soubessem que os seus políticos são pessoas sérias”.

Também falou na frase que o PS usou como mantra político para reagir a todo o caso Sócrates, para dizer que “quando se diz que à justiça o que é da justiça não se quer dizer que nos desresponsabilizamos do julgamento que todos fazemos sobre estas matérias, mas não podemos fazer condenação prévia de pessoas cujos processos no âmbito da investigação criminal e no âmbito dos tribunais não está concluído. Se as acusações se confiram e forem verdadeiras são casos muito triste e revoltantes”, repetiu.

Artigo atualizado às 20h como as novas declarações de Carlos César nos Açores