Cerca de 150 polícias concentraram-se esta sexta-feira diante das instalações da Direção Nacional da PSP, em Lisboa, em protesto por questões relacionadas com o descongelamento de carreiras, atualização salarial, pagamento de subsídios e falta de efetivos.

Em declarações à agência Lusa, Mário Andrade, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), referiu que o protesto, que juntou profissionais do Porto, Braga, Chaves, Setúbal, Beja, Faro e Coimbra, prende-se também com a lentidão dos “procedimentos administrativos” da Direção Nacional da PSP, que “tarda em responder” aos polícias sobre questões e perguntas que lhe são colocadas.

Questionado sobre o descongelamento de carreiras para 15 mil polícias, com efeitos retroativos a 1 de janeiro, anunciado na quinta-feira pelo Ministério da Administração Interna (MAI), o dirigente sindical considerou que o importante agora é saber quando é que o descongelamento se concretizará, nomeadamente saber “quando e como” essas verbas serão pagas.

Mário Andrade sublinhou que a concentração serviu ainda para reivindicar o subsídio de risco, que é uma aspiração antiga da classe, e o pagamento de vários subsídios, incluindo de turno e patrulha, durante o período de férias.

O presidente do SPP lembrou que esses subsídios foram cortados aos polícias no período de férias, por decisão tomada em 2010, tendo recentemente o tribunal dado razão aos polícias, que exigem agora o pagamento retroativo daquilo que lhes foi retirado durante anos. No imediato, a SPP quer que “seja eliminado esse corte” de subsídios nas férias.

Outra das preocupações do sindicato relaciona-se com a morosidade da Direção Nacional da PSP em autorizar o acesso dos polícias a ato médico no âmbito do serviço de saúde destes profissionais (SAD). “Não é aceitável que um polícia esteja sete e oito meses à espera de autorização para um ato médico. Se o polícia está doente, vai ficar mais doente (com a espera)”, criticou Mário Andrade.

Empunhando bandeiras e exibindo cartazes, os polícias concentrados esta sexta-feira em Lisboa exigiram ainda “melhores condições de trabalho” e o “cumprimento da lei sindical”. Declararam ainda rejeitar uma “polícia a duas velocidades” em que “há polícias com uma diferença de 20 anos (de serviço) e que estão no mesmo índice remuneratório”. O protesto ocorreu numa altura em que os sindicatos e associações da PSP, GNR e forças armadas estão a desenvolver várias ações de luta.