O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as “crianças estão a ser usadas por alguns dos piores criminosos do mundo como uma maneira” de entrar nos EUA. A afirmação surge numa altura em que a prática de tolerância zero das polícias fronteiriças, que separam famílias que entrem nos EUA ilegalmente pela fronteira com o México, está a merecer críticas dos dois lados das barricadas partidárias norte-americanas.

“As crianças estão a ser usadas por alguns dos piores criminosos do mundo como uma maneira de entrar no nosso país. Já alguém olhou para o crime que acontece a Sul da nossa fronteira? É histórico, com alguns países a serem dos sítios mais perigosos do mundo. Não vai acontecer nos EUA”, lê-se no tweet completo de Donald Trump, escrito esta segunda-feira à tarde.

Logo de seguida, voltou a publicar um novo tweet, desta vez mais curto e implicitamente dirigido aos democratas e alguns dos republicanos que dele discordam neste tema. “MUDEM AS LEIS!”, escreveu, referindo-se às leis de imigração.

Noutro tom, também a primeira-dama, Melania Trump, fez uma rara incursão em assuntos políticos para falar deste tema. “A Sra. Trump detesta ver crianças serem separadas das suas famílias e espera que os dois lados da barricada possam finalmente juntar-se para conseguir um acordo para a reforma das leis migratórias”, disse a sua porta-voz, Stephanie Grisham, à CNN. “Ela acredita que temos de ser um país que cumpre todas as leis, mas também um país que governa com o coração”, completou a porta-voz da primeira-dama, numa afirmação que alguns viram como sendo uma crítica às políticas defendidas pelo seu próprio marido, Donald Trump.

Ao longo do fim-de-semana, várias personalidades políticas apelaram a que Donald Trump revertesse esta política de tolerância zero. Entre eles, estão o ex-Presidente Bill Clinton; a antiga primeira-dama e candidata presidencial derrotada em 2016, Hillary Clinton; a ex-primeira-dama Laura Bush; e o antigo porta-voz da Casa Branca de Donald Trump, Anthony Scaramucci.

A Câmara dos Representantes prepara-se para debater e votar dois pacotes legislativos para a imigração, sendo um deles descrito pela imprensa norte-americana como “moderado” e outro como mais “restritivo”. De acordo com o Washington Post, os líderes dos republicanos na Câmara dos Representantes, que ali estão em maioria, estão a tentar conseguir um acordo que previna a separação de famílias e permita a concessão de nacionalidade a imigrantes levados para os EUA como menores mas que, ao mesmo tempo, liberte fundos para a construção de um muro na fronteira com o México e imponha limites à imigração legal.

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