História

Estudo mostra que homem de Neandertal ocupou Vale do Côa de forma continuada

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Uma equipa multidisciplinar colocou a descoberto, no Vale do Côa, provas que mostram "com clareza" que o homem de Neandertal ocupou de forma continuada aquele território.

DANIEL GIL/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Uma equipa multidisciplinar colocou a descoberto, no Vale do Côa, provas que mostram “com clareza” que o homem de Neandertal ocupou de forma continuada aquele território antes da chegada do ‘homo sapiens sapiens’.

A presença continuada do homem de Neandertal, em acampamento ao ar livre, no Vale do Côa, ficou comprovada com este registo arqueológico, composto para sondagens arqueológicas, o que torna este sítio único na Europa”, disse esta segunda-feira à Lusa o arqueólogo Thierry Aubry, um dos especialistas da Fundação Côa Parque envolvidos na investigação.

Depois de se percorrer cerca de 25 quilómetros por estradas sinuosas, chega-se ao sítio arqueológico do Salto do Boi/Cardina, nas proximidades da aldeia de Chãs, onde foi descoberta, através de um conjunto de sondagens, esta “novidade para a arqueologia”.

Para os investigadores, ao longo das várias camadas evidenciadas nas sondagens arqueológicas feitas no lugar do Salto do Boi/Cardina, é possível perceber que o homem de Neandertal e o ‘homo sapiens sapiens’ ocuparam o mesmo sítio durante milhares de anos, de forma contínua, o que permite comparar o seu modo de vida e dar um contexto à arte rupestre do Côa.

No lugar do Salto do Boi, com o rio Côa a seus pés, arqueólogos e outros técnicos escavaram ao longo dos últimos dois meses mais de cinco de metros em profundidade, para chegar à conclusão de que parte dos vestígios encontrados pertence à época da ocupação dos Neandertais (350.000 a 35.000 a.C.).

“Até agora, sabíamos que os últimos Neandertais ocuparam o Vale do Côa no período entre 60.000 e 35.000 a.C.. No entanto, no fim desta última campanha ultrapassamos aos cinco metros de profundidade onde foram encontrados vestígios de ocupações mais antigas e sucessivas dos sítios pelos Neandertais”, vincou o arqueólogo.

Segundo Thierry Aubry, no interior da Península Ibérica há pouco sítios arqueológicos datados do Paleolítico Médio, e o que se conhece são ocupações únicas e não continuadas.

Neste lugar, temos dezenas de níveis que mostram uma ocupação contínua dos caçadores-recoletores do Côa que conseguimos demonstrar com o estudo do material recolhido. É possível descodificar a transição entre os últimos Neandertais e os primeiros homens modernos [os artistas do Vale do Côa] que ocuparam a Península Ibérica”, enfatizou o arqueólogo.

Neste momento, segundo o arqueólogo, há “dados arqueológicos que vão permitir estabelecer que os artistas do Côa chegam a este lugar, após uma longa tradição de ocupação humana com mais de 90 mil anos no sítio do Salto do Boi/Cardina”.

Nestas escavações, a ideia não era a de encontrar peças bonitas, mas sim informação que nos permitisse perceber como as pessoas viviam, o que faziam, por onde passaram ou o efetivo do grupo nestas paragens”, indicam os investigadores envolvidos nos estudos arqueológicos do Vale do Côa.

Agora, o desafio que se coloca aos investigadores é perceber o porquê de os Neandertais e seus descendentes escolherem o território do Côa para perpetuar a sua arte rupestre e continuar as escavações de forma mais abrangente.

O núcleo duro desta equipa de investigadores é composto pelos quadros da Fundação Côa Parque, aos quais se juntam elementos de diversas universidades.

O projeto de escavações no sítio do Salto do Boi/Cardina conta com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e a cooperação das universidades de Coimbra, Barcelona e Lisboa.

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