A procuradoria dos Estados Unidos acusou esta segunda-feira uma cidadã russa de conspirar e agir como um agente do Kremlin no país, com o objetivo de se infiltrar no aparato político americano e estabelecer um “canal de apoio” entre os líderes do Kremlin e o Partido Republicano.

Maria Butina, de 29 anos, foi presa no domingo em Washington, acusada de ter redes de contactos para beneficiar Moscovo, atuando como agente da Federação Russa sem cumprir os procedimentos de registo previstos nos Estados Unidos. A acusação foi formalizada esta segunda-feira, poucas horas depois do encontro entre Donald Trump, presidente dos EUA, e Vladimir Putin, presidente da Rússia. O tribunal ordenou que Butina permanecesse em prisão preventiva enquanto aguarda outra audiência marcada para a próxima quarta-feira.

Entre 2015 e 2017, a cidadã russa terá trabalhado sob as ordens de um alto funcionário russo, tendo também sido assistente de Alexander Torshin, vice-presidente do banco central russo que o Departamento do Tesouro sancionou este ano. Butina teria como objetivo infiltrar-se nas empresas que tinham influência em políticos do país e chegou aos Estados Unidos com um visto de estudante. Se for condenada, a pena poderá chegar aos cinco anos de prisão.

Segundo a acusação, citada pelo El Pais, “as linhas de comunicação poderiam ser utilizadas pela Federação Russa para entrar no aparato de tomada de decisões dos Estados Unidos e avançar na agenda da Federação Russa”, através de reuniões “com políticos e candidatos políticos”, bem como uma associação pró-armas de fogo. A acusação indica ainda que Butina não informou as autoridades, sendo exigido por lei que o faça.

Maria Butina estudou numa universidade de Washington e fundou a organização russa de defesa da posse de armas “Right to Bear Arms”.

Já Robert Driscoll, advogado de Maria Butina, disse através de um comunicado enviado ao Financial Times que a sua cliente não era uma agente russa e que cooperou durante vários meses com investigadores do Congresso. “A substância da acusação na denúncia é exagerada”, disse, acrescentando que, “embora seja considerado uma espécie de conspiração para violar a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros, na verdade descreve uma conspiração por ter um ‘jantar de amizade’ no Bistro Bis com um grupo de americanos e russos para discutir relações estrangeiras entre os dois países.”

Na passada sexta-feira, o procurador-geral adjunto dos EUA, Red Rosenstein, revelou que 12 oficiais dos serviços de informação russos foram acusados de pirataria informática durante as últimas eleições presidenciais. Os russos são acusados de invadir as redes de computadores do Comité Nacional Democrata, do Comité Democrata do Congresso e da campanha presidencial de Hillary Clinton, libertando depois correios eletrónicos roubados na Internet nos meses que antecederam a eleição.