A onda de calor que se instalou na zona do Ártico no mês de junho fez com que se registassem temperaturas atípicas naquela região. Na Sibéria, por exemplo, a temperatura média esteve quase 10 graus acima do normal, o recorde em mais de um século, de acordo com o Centro Hidrometeorológico da Rússia.

A temperatura máxima que se registou rondou os 40 graus, um valor que coloca aquela zona do globo a competir diretamente… com o Alentejo. De acordo o Boletim Climatológico de junho do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o valor mais alto atingido no mês passado foi 40,9º, em Coruche, no dia 18.

Aliás, o que se registou na Sibéria é até superior à média da temperatura máxima registada durante o mês em Portugal — 25,7º — e ao valor médio do dia mais quente, precisamente 18 de junho — 34,6º.

Também o relatório do mês de junho da Organização Mundial de Meteorologia mostra que as regiões tipicamente mais frias estão a ser afetadas por uma onda de calor: na Lapónia chegou-se aos 33º e em Helsínquia, capital da Finlândia, os termómetros ultrapassaram os 30º. De resto, a Suécia é um dos países que está a ser mais afetado, com mais de 50 incêndios ativos.

O país já pediu mesmo ajuda à União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Em Upsalla, a 70 quilómetros a norte de Estocolmo, foram registadas temperaturas recorde, superiores a 33 graus.

Em declarações ao El País, o meteorologista norte-americano Nicholas Humphrey diz que estes fenómenos estão relacionados com as alterações climáticas: “Nenhum evento em si é causado pelas alterações climáticas, mas o aumento de eventos meteorológicos extremos e mais frequentes são um sinal. Esta onda encaixa-se no cenário provocado pelo aquecimento abrupto do Ártico desde os anos 80″.