Entre finais de junho e inícios de setembro de 2007, uma série de incêndios alimentada por uma onda de calor e vento (e nascida de mão criminosa) matou 84 pessoas e queimou 2.711 quilómetros quadrados de área florestal, campos agrícolas e olivais na Grécia. Há 50 anos que o país não registava tantos incêndios nem tão mortíferos. Passados onze anos, a catástrofe regressou ao país: dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas pelas chamas que alastram de Atenas até ao mar desde segunda-feira. Só em 24 horas já morreram mais pessoas do que as vítimas mortais de todos os incêndios de agosto de 2007.

Há onze anos o primeiro de todos os incêndios deflagrou a 28 de junho de 2007 por causa de uma avaria numa torre de eletricidade junto ao Parque Nacional de Parnitha, uma montanha com uma floresta muito densa no norte de Atenas. O fogo dizimou quase 64 quilómetros de floresta e perto de 154 quilómetros quadrados ao longo de toda a montanha, fazendo deste incêndio o mais devastador da península de Ática desde 1995. As consequências foram tão graves que Atenas ficou debaixo de um microclima que a tornou muito mais quente do que seria normal. Nove pessoas morreram só em junho com este incêndio. Mas o pior ainda estava para vir.

No mês seguinte, em julho de 2007, cinco pessoas morreram noutro incêndio que começou num depósito de lixo perto de Agia Paraskevi, Skiathos, e que se alastrou por toda a ilha, obrigando à evacuação de todos os edifícios. Entre 11 de julho e 15 de julho registaram-se mais de 100 incêndios em cidades como Creta, Lesbos, Samos ou Peloponeso. Nesta última, um fogo na montanha junto a Aigio a 20 de julho foi empurrado pelo vento até à cidade e destruiu 230 casas e 10 igrejas. Suspeita-se que esses fogos tenham sido provocados por um agricultor de 26 anos e por uma mulher de 77. Ele foi preso depois de ter confessado o crime.

Se até então os fogos se tinham mantido longe de Atenas, em agosto as chamas chegaram às vizinhanças da capital grega. A 17 de agosto, um incêndio com origem no monte Penteli começou a ameaçar os subúrbios atenienses e obrigou à atuação de 60 carros de bombeiros, 19 meios aéreos de combate ao fogo e de centenas de bombeiros. Uma semana depois, os bombeiros encontraram 30 pessoas mortas dentro de carros que tinham usado para tentar fugir a um incêndio em Zacharo. Outras seis foram encontradas mortas em  Areopoli. Só os incêndios de 24 de agosto vitimaram 67 pessoas.

O mês de agosto foi o pior em termos de incêndios na catástrofe de 2007. Apenas um dia depois, 20 incêndios — alguns dos quais com origem em garrafas de gasolina — deflagraram no Monte Hymettus e nas vizinhanças de Filothei em Atenas, em Keratea e em Markopoulo Mesogaias. Em Keratea as chamas estenderam-se ao longo de 12 quilómetros. Depois, a 26 de agosto, outro incêndio ameaçou as ruínas de Olímpia, que contudo acabaram por ser poupadas. Só as árvores no cimo dos montes é que foram queimadas.

Os incêndios continuaram até 3 de setembro, mês em que quatro pessoas morreram à conta dos fogos.

Nas contas finais, de 28 de junho até 3 de setembro, 84 pessoas morreram na Grécia por causa das chamas. Na altura, Portugal ajudou com  Canadair CL-215 e o envio de seis militares para a Grécia. Agora, Portugal disponibilizou-se para enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou o ministro da Administração Interna.