Ainda não foi hoje que o casal que acorrentou os 13 filhos na sua própria casa, na Califórnia, ficou a saber se vai a julgamento ou não. Numa sessão marcada para esta sexta-feira no Supremo Tribunal do Condado de Riverside, na Califórnia, o juiz adiou para 31 de agosto a decisão quanto ao futuro de David e Louise Turpin. O reagendamento ocorreu a pedido dos advogados de defesa, que consideram ter informação que pode reduzir o número de acusações.

David e Louise Turpin chegaram a estar na sala de audiências, como se pode ver em várias fotografias registadas e partilhadas no Twitter por jornalistas que se encontravam no local.

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O casal Turpin estava indiciado, em conjunto, por 88 crimes — um número que podia ser maior se o juiz não tivesse deixado cair duas acusações de abuso de menores por considerar que a filha de dois anos, a mais nova, não apresentava sinais de agressão ou subnutrição. Cada um está, assim, indiciado por 12 crimes de tortura, sete de abuso contra um adulto dependente, oito de abuso de menores e 12 de sequestro. David está ainda indiciado por um crime de “ato obsceno contra uma das crianças” e oito de perjúrio. Louise está indiciada por mais um de agressão.

Na audiência preliminar do passado dia 22 de junho, o juiz Bernard J. Schwartz tinha considerado que existiam provas suficientes para acusar formalmente o casal que acorrentou os 13 filhos na própria casa. A decisão do juiz foi tomada depois de terem sido apresentadas as provas recolhidas pelas autoridades: a chamada que a filha de 17 anos fez à polícia quando conseguiu fugir da casa, as fotografias que mostram os filhos sujos e subnutridos e ainda os seus próprios relatos.

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O caso foi descoberto no início do ano quando a filha de 17 anos, Jordan Turpin, salvou os outros 12 irmãos. Na madrugada do dia 14 de janeiro, a jovem conseguiu fugir e alcançar um telemóvel que encontrou em casa, através do qual ligou para a polícia.

Quando a polícia chegou à casa, este foi o cenário que encontrou: “Várias crianças acorrentadas às suas camas com correntes e cadeados, na escuridão e num ambiente com cheiros nauseabundos“, lê-se no comunicado emitido no dia seguinte. Todos os filhos, à exceção da menina mais nova, de 2 anos, estavam subnutridos. A vítima de 29 anos pesava 37 quilos. Uma das crianças de 12 anos tinha o peso de uma de 7.

Os pais foram detidos. Os filhos, assim que foram libertados, foram alimentados e internados em dois hospitais diferentes. Só a 19 de março deixaram os hospitais onde estavam internados e foram colocados em três casas de acolhimento diferentes em Riverside — a mesma localidade onde viviam com os pais. Nenhuma casa tinha capacidade para albergar todos os irmãos juntos, mas estabeleceram contacto via Skype.

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