Especialmente nos tempos em que era liderada pelo fundador Travis Kalanick, a Uber sempre foi uma empresa inovadora, mas que coleccionava tantos sucessos quantos processos em tribunal. O desenvolvimento de veículos autónomos é apenas um desses exemplos, com a empresa americana de transporte de pessoas e bens a decidir apostar nos automóveis sem condutor para os seus serviços de táxi, carsharing e ridesharing.

Para conseguir rapidamente a tecnologia que não tinha, a Uber adquiriu por 680 milhões de dólares a Otto, criada oito meses antes por Anthony Levandowski, que depois de trabalhar anos na Waymo, a divisão de condução autónoma da Google, saiu para criar a sua empresa, levando consigo 14.000 ficheiros com informação do seu empregador. A Waymo não apreciou, acusando a Uber de ter conseguido uma vantagem ilícita à sua custa. E a Uber também não, sobretudo depois de pagar 245 milhões de dólares após o quinto dia em tribunal.

Admitindo que continua atrasada no desenvolvimento dos veículos sem condutor – o facto de ter sido a primeira empresa deste ramo a fazer uma vítima mortal também não ajudou –, a Uber decidiu que a Otto, que até aqui se dedicava aos automóveis autónomos em paralelo com os camiões, passaria a concentrar-se apenas nos primeiros.

Levandowski, ex-Waymo e agora Uber, junto aos veículos ligeiros e pesados para os quais a Otto desenvolve sistema autónomos

Após o atropelamento mortal no Arizona, a Uber suspendeu os testes com os carros autónomos, que agora vai retomar. “Tomámos a importante decisão de regressar aos ensaios na via pública com os nossos automóveis em Pittsburgh, na Pensilvânia, e queremos ter toda a energia do departamento de veículos autónomos (Otto) concentrada neste esforço”, informou o responsável pela Uber Advanced Technologies, Eric Meyhofer. Num outro email, Meyhofer afirmou estar “muito orgulhoso sobre o trabalhado realizado pela divisão de camiões”, para depois concluir: “Acreditamos que é preferível avançar primeiro com o sistema para automóveis.”