Desde que o socialista Pedro Sánchez se tornou chefe do Governo de Espanha, quase metade dos membros da comissão executiva do PSOE foram nomeados para cargos de administração de empresas públicas ou de liderança em órgão estatais. O alerta tem sido dado por vários títulos da imprensa espanhola, que têm acompanhado a nomeação de vários dos 49 membros da comissão executiva do PSOE (número esse que inclui o próprio secretário-geral, Pedro Sánchez) ao longo das 10 semanas com que já conta o governo socialista.

A 9 de agosto, o El País dava conta de que 37% da comissão executiva do PSOE (18 dos 49 membros) foi integrada em cargos de administração, fosse com a atribuição de ministérios no Governo ou de cargos de liderança em empresas e órgãos estatais. Porém, num artigo publicado pelo ABC já nesta segunda-feira, já se fala em “mais de duas dezenas” nomeações que beneficiaram membros do órgão mais alto dos socialistas espanhóis — pelo que, neste momento, aquela percentagem já ultrapassa os 40%.

Uma das nomeações mais recentes é a de José Félix Tezanos, sociólogo e militante histórico do PSOE, do qual faz parte desde 1973, para o cargo de diretor do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS), responsável por estudos de caráter sociológico e também político. José Félix Tezanos acabou por renunciar a título temporário ao seu cargo na comissão executiva do PSOE depois de aceitar a nomeação para liderar o CIS.

Outro alto cargo do PSOE a receber um cargo de liderança foi Óscar López, que chegou a ocupar a posição cimeira de secretário de organização dos socialistas sob a alçada de Pedro Sánchez. Sem qualquer experiência no ramo do turismo, Óscar López foi chamado para ser presidente do Paradores de Turismo, uma cadeia de hotéis e de alojamento turístico de luxo, que pertence ao Estado e que opera em Espanha e, desde 2015, em Portugal. O cargo vai valer-lhe um salário de 180 mil euros anuais.

A Juan Manuel Serrano, cuja proximidade a Pedro Sánchez lhe valeu o cargo de chefe de gabinete no PSOE, foi também nomeado no final de julho para ser presidente dos Correos, a empresa estatal de correios.

Na Empresa Nacional de Uranio, também houve uma troca que o El Mundo apelida mesmo de “insólita”, já que substituiu José Luis González (engenheiro industrial com experiência de mais de quatro décadas no ramo) por José Vicente Berlanga, que tem formação em Filosofia e que na política ocupou cargos sem relação direta ao tema da energia nuclear na Generalitat da de Valência.

A nível regional, também já se nota o dedo do PSOE. Pablo Zuloaga e Diego Conesa, líderes do PSOE nas regiões de Cantabria e na província andaluza de Murcia, respetivamente, passaram a ser delegados do Governo central em cada uma das suas comunidades autonómicas.

As nomeações também vão para lá dos membros da comissão executiva do PSOE. A mais sonante coube a Jordi Sevilla, ex-assessor do grupo parlamentar socialista e ex-ministro da Administração Pública no governo de José Luis Zapatero, que o governo de Pedro Sánchez escolheu para liderar a Red Eléctrica Española, cargo que lhe valerá 546 mil euros anuais.