O Presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou as palavras do seu advogado sobre uma possível entrevista com o procurador Robert Mueller, responsável pela investigação do alegado conluio entre a sua equipa de campanha e a Rússia em 2016, dando a entender que um encontro entre os dois poderia ser uma armadilha.

Numa entrevista em exclusivo à Reuters, Donald Trump refere que Robert Mueller poderia levá-lo ao engano, ao ponto de prestar declarações falsas, depois de ter confrontado outras testemunhas. Uma delas, o ex-diretor do FBI James Comey, com quem Donald Trump tem uma relação difícil, chega a ser referido pelo Presidente dos EUA.

Se eu disser uma coisa e ele [Comey] disser outra, pode ser a minha palavra contra a dele. E ele é muito amigo de Mueller, por isso Mueller pode dizer: ‘Bom, eu acredito em Comey’ e mesmo que eu esteja a dizer a verdade isso faz de mim um mentiroso. Isso não é nada bom”, disse Donald Trump à Reuters.

Este fim-de-semana, o advogado de Donald Trump, o ex-mayor de Nova Iorque, já tinha falado sobre este tema — e nos mesmos contornos. “Não quero que lhe ponham pressa para testemunhar, para depois cair numa armadilha que o leve a prestar um falso depoimento. E é uma parvoíce quando dizem que ele devia testemunhar porque vai dizer a verdade e não se devia preocupar. Porque é a versão que uma pessoa tem da verdade, não é a verdade”, disse Rudy Giuliani.

Donald Trump disse que a sua administração é uma “máquina bem oleada, com a exceção desse mundo”, referindo-se à investigação em torno da sua campanha e da interferência russa nas eleições de 2016. Chega mesmo a acrescentar que ele próprio podia fazer “o que quisesse” com a investigação mas que escolheu não fazê-lo.

“Posso entrar e fazer o que eu quiser [na investigação], podia mandar nela se quisesse, mas decidi ficar de fora”, disse. “Eu tenho todo o direito de me envolver, se quiser. Para já, escolhi não me envolver. Vou ficar de fora.”

A 8 de agosto, o Washington Post escreveu que Robert Mueller iria chamar Donald Trump para testemunhar “muito em breve”

Recorde-se que Donald Trump tem criticado o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, apesar de este ter sido um dos seus primeiros apoiantes dentro do Partido Republicano e uma das suas escolhas após a eleições de 2016. Donald Trump tem apontado o dedo a Jeff Sessions, que pediu excusa deste caso por ser também ele suspeito, por não pôr um fim a esta investigação.

“Esta situação é terrível e o procurador-geral Jeff Sessions devia pôr um fim a esta caça às bruxas engendrada agora mesmo, antes que continue a manchar ainda mais o nosso país”, escreveu Donald Trump no Twitter a 1 de agosto.

Na entrevista à Reuters, outro dos temas abordados foi a aproximação entre os EUA e a Coreia do Norte, com Donald Trump a dizer que “estão a acontecer muitas coisas boas”. “Eu consegui que a Coreia do Norte parasse de fazer testes nucleares, consegui que a Coreia do Norte parasse de testar mísseis. O Japão está animadíssimo”, disse. Ainda assim, deixou o futuro em aberto: “O que vai acontecer? Quem sabe? Vamos ver”.

Sobre Kim Jong-un, com quem se envolveu numa troca de insultos e ameaças que durou até a cimeira histórica de junho ter sido anunciada, Donald Trump referiu que os dois mantêm uma boa relação. “Eu gosto dele e ele gosta de mim”, disse. “Não há mísseis balísticos nos ares, há muito silêncio. Tenho uma relação pessoal boa com o Presidente Kim e penso que é isso que mantém tudo sob controlo”, acrescentou. Sobre um possível encontro no futuro (após a cimeira de Singapura, cada um dos líderes convidou o outro para visitá-lo na respetiva capital), Donald Trump disse que “o mais provável” é que haja uma nova reunião.

Donald Trump disse que um novo encontro com Kim Jong-un é “o mais provável”

O discurso otimista do Presidente dos EUA contrasta com o do seu Secretário de Estado, Mike Pompeo, que tem liderado as negociações dos norte-americanos com a Coreia do Norte. No início de agosto, o chefe da diplomacia de Washington acusou a Coreia do Norte de “agir de uma maneira inconsistente” no que toca à desnuclearização. “Estão a violar uma ou ambas as resoluções, vemos que há um caminho a fazer para atingir o resultado que procuramos”, disse.

Mike Pompeo falava depois de terem sido conhecidas as suspeitas dos serviços de informação norte-americanos que a Coreia do Norte teria, mesmo depois do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, expandido um complexo nuclear ou continuado a construir novos mísseis.