Rui Rio subiu ao palco da festa do Pontal, no passado sábado, a disparar contra os opositores internos — os que “não perdem um dia da semana, nem o domingo, para fazer críticas ao PSD” –, mas até agora poucos tinham acusado o toque. Luís Marques Mendes, o comentador “de domingo”, agradeceu a referência, mas acusou o líder do partido de ter cometido “um erro de principiante ao responder aos adversários internos”. Esta quarta-feira, foi a vez de Luís Montenegro regressar ao seu espaço de comentário semanal na TSF e mostrar que, não só não gostou das palavras “infelizes” do líder, como a responsabilidade de o PSD ganhar ou não eleições é “sobretudo do líder do partido”.

Gostava mais que esse tipo de comentários não tivesse sido proferido, não são palavras felizes, nem é um tom adequado, porque no PSD todos devemos ter consciência, a começar pela liderança, de que o grande adversário é o PS e o seu líder António Costa.  Mal do partido se estiver agora a olhar para dentro em vez de estar a olhar para o país e para as alternativas políticas que se colocam”, disse o ex-líder parlamentar do PSD numa primeira reação ao discurso pós-férias de Rio.

A verdade é que o discurso de Rio na festa do Pontal, no Algarve, foi um dos mais duros de sempre, não só para o governo de António Costa como para os seus adversários internos que, nas palavras de Rio, só dão mais força ao PS ao alimentarem a guerra interna. “Não posso aceitar que haja quem, dentro do PSD, esteja permanentemente, através das críticas internas, a proteger e a tentar salvar o PS. Aqueles que na comunicação social não perdem um só dia da semana – até aos domingos – para fazer críticas ao PSD, não estão a produzir opiniões sinceras e independentes. Estão a tentar evitar que o PSD ganhe as eleições porque só assim podem vir a ser alguém na política. São críticas táticas ao serviço de interesses pessoais”, disse Rui Rio. Mas não se ficou por aí. Disse também que os tais que o criticam só o fazem porque estão “a defender o seu lugarzinho e o do seu amigo”; disse que, com ele, os lugares só são defendidos com trabalho e lealdade, e garantiu que, no PSD como na vida, vai cumprir o seu mandato até ao fim. Por isso, eles que “esperem sentados”.

Para Luís Montenegro, as palavras não foram “felizes”, assim como também não foram felizes quando disse, na mesma ocasião, que o PSD “só não ganha eleições se não quiser”. Rio disse-o no momento em que acusava os críticos internos de estarem a ajudar o PS ao manter o foco nas intrigas dentro do PSD, mas segundo Luís Montenegro, as críticas internas são “normais”, porque o “PSD não é seguidista nem unanimista”, e até o próprio Rio “já esteve nessa situação” — mas a responsabilidade maior de ganhar eleições, diz, é do próprio Rui Rio.

“O PSD venceu as duas últimas legislativas, é uma força política maioritária, bate-se para ganhar todas as eleições, bate-se para ter condições de governabilidade. Claro que depende muito do PSD para vencer, mas depende em primeira linha do seu principal responsável que é ele próprio, o líder do partido”, disse, pondo o peso para cima dos ombros de Rui Rio.

Luís Montenegro, que no último congresso se posicionou como futuro desafiador da atual liderança, lembrou ainda uma velha frase de Rui Rio, que disse numa reunião com os deputados que “as eleições não se ganham, perdem-se”, para voltar a pôr mais pressão. “Discordo dos que dizem que as eleições não se ganham, perdem-se, as eleições ganham-se, a confiança conquista-se, e conquista-se a adesão ao projeto político e aos protagonistas”, afirmou.