O Partido dos Trabalhadores (PT) queria que fosse Lula da Silva o candidato presidencial às eleições de outubro. O ex-presidente, preso desde abril na sequência da Operação Lava Jato, foi impedido pela Justiça de avançar, o que obrigou o PT a escolher Fernando Haddad, que era até então candidato a vice-presidente, para assumir agora o lugar do ex-presidente. Mas, afinal, quem é o homem que ficou conhecido como edil de São Paulo?

Fernando Haddad iniciou-se na vida política quando tinha 20 anos, em 1983, altura em que se filiou ao PT e assumiu o cargo de tesoureiro do Centro Académico XI de Agosto, o órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Foi, aliás, nessa instituição que se licenciou em Direito em 1985, a que juntou o mestrado em Economia e o Doutoramento em Filosofia.

A primeira passagem pela Câmara Municipal de São Paulo aconteceu em 2001, quando a então presidente Marta Suplicy (uma das estrelas do PT de então) o convidou a ocupar o cargo de subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Económico.

O agora candidato a presidente já trabalhou diretamente com duas pessoas que ocuparam o lugar no Palácio do Planalto. Uma delas foi precisamente Lula da Silva, que em 2005 o nomeou ministro do Educação. Ocupou o lugar até 2012, quando a presidência do país já estava nas mãos de Dilma Rousseff. Saiu porque queria ser presidente da Câmara Municipal de São Paulo e concorreu às eleições municipais, que venceu na segunda volta.

Meu objetivo central está plenamente delineado, discutido e aprovado pela maioria do povo paulistano: é diminuir a grande desigualdade existente em nossa cidade, é derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica e a cidade pobre”, disse no discurso de tomada de posse.

Mas logo em 2013 começou o descontentamento popular, com protestos nas ruas contra o aumento do preço dos transportes públicos. No fim do mandato, em 2016, tentou a reeleição mas perdeu logo na primeira volta.

E se Lula da Silva tem tido vários problemas com a justiça, Fernando Haddad também já foi acusado de corrupção pelo Ministério Público de São Paulo. No passado dia 4 de setembro, foi acusado de ter recebido 2,6 milhões de reais (cerca 521 mil euros) de um empresário, Ricardo Pessoa durante a campanha de 2012 para a Câmara de São Paulo. Os pagamentos terão sido feitos através de um saco azul em troca de futuros favorecimentos na adjudicação de obras públicas por parte da administração municipal.

Haddad rejeitou a acusação e apontou o dedo a Ricardo Pessoa, cuja acordo de delação premiada ajuda a sustentar a acusação do Ministério Público. O então número dois de Lula da Silva defendeu-se, afirmando existir uma componente eleitoral por trás das ações do Ministério Público.

Surpreende que no período eleitoral, uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato a vice-presidente da República, Fernando Haddad”, podia ler-se numa nota da assessoria de imprensa de Haddad.

Antes, no dia 27 de agosto, o Ministério Público já tinha movido uma ação na qual acusava o agora candidato a presidente de enriquecimento ilícito e requeria a perda judicial de direitos políticos — o que poderia impedir qualquer candidatura de Haddad a cargos políticos.