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UNITA considera que regresso do corpo de general Ben Ben é mais um passo para reconciliação nacional

O presidente da UNITA considerou que o regresso do corpo do general "Ben Ben" a Angola representa "mais um passo" na remoção dos obstáculos para a reconciliação nacional dos angolanos.

JOOST DE RAEYMAEKER/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O regresso do corpo do general “Ben Ben” a Angola, 20 anos depois de várias tentativas, representa “mais um passo” na remoção dos obstáculos para a reconciliação nacional dos angolanos, disse esta quinta-feira, em Luanda, o presidente da UNITA.

Isaías Samakuva falava aos jornalistas antes da chegada a Luanda dos restos mortais do general Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, antigo vice-chefe do Estado-Maior das FALA, o então exército da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e que chegou a ser adjunto do chefe do estado Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA) após uma breve reconciliação entre os dois movimentos.

Por outro lado, e questionado pela agência Lusa sobre se os restos mortais de Jonas Savimbi serão o próximo passo da UNITA e serão sepultados até ao final deste ano, Samakuva salientou que esse era o desejo inicial, mas admitiu que existem “questões que têm de ser agilizadas”, pelo que só em 2019 será possível concretizar. “Sim, diria que é o próximo passo, mas olhemos para Angola. Estamos a falar de alguns casos apenas. Há outros casos, uns que são parentes da UNITA e outros do MPLA, outros que não são parentes nem da UNITA nem do MPLA. É preciso que olhemos para Angola no seu todo e é a Angola no seu todo que precisa desta reconciliação”, afirmou.

“O Governo, o Estado, tem de parar e refletir para que estes funerais ainda por fazer. Tem de se fazer com que as famílias por toda a Angola que estão a precisar ainda das certidões de óbito dos seus parentes um dia se sintam também descansados com aquilo que se está a fazer. Há sempre um ponto de partida”, acrescentou.

Sobre a recuperação dos restos mortais do primeiro presidente da UNITA, Samakuva lembrou que até o presidente angolano, João Lourenço, tinha concordado em realizar o processo todo até ao final do ano em curso, mas que tal não será possível. “Era o desejo de todos nós. O presidente tinha concordado com isso, mas há, aqui, agora, trabalhos que estão a ser feitos e, na prática, parece que o calendário até ao fim do ano não vai dar. Há várias questões que têm de ser agilizadas e, por conseguinte, estamos a olhar para um período para além do fim do ano”, disse, sem especificar.

O líder “histórico” da UNITA nasceu a 3 de agosto de 1934, no Munhango, a comuna fronteiriça entre as províncias do Bié e Moxico. Viria a ser morto em combate após uma perseguição das forças armadas angolanas a 22 de fevereiro de 2002, próximo de Lucusse, na província do Moxico, onde os seus restos mortais permanecem sepultados, à guarda do Estado angolano.

Sobre “Ben Ben”, que estava sepultado num cemitério em Zandfontein, próximo de Pretória, o atual líder da UNITA, maior partido da oposição, destacou o apoio do Presidente angolano, depois de anos em que tudo parecia “impensável”. “Temos todos de reconhecer, não só o facto de ter sido possível, hoje, trazer o corpo do general Ben Ben para Angola, como também que tudo se processou de uma forma bastante rápida quando, ao longo desse tempo todo, parecia ser impensável fazer-se este ato hoje. É importante quando estamos a falar da reconciliação nacional, da unidade dos angolanos”, frisou.

“Pensamos que temos, de facto, de virar a página e olharmos para a frente. E não podemos olhar para a frente quando temos aspetos candentes que tocam diretamente as vidas das famílias, as nossas vidas. Realizar atos como este é ultrapassar o que posso considerar obstáculos à verdadeira reconciliação nacional. Muitas vezes estamos a falar da reconciliação, temos discursos bons, mas, na prática, deixamos muita coisa para trás. Penso que é importante e temos todos de reconhecer este passo”, congratulou-se.

Samakuva lembrou que, no dia em que lhe foi comunicada a morte de “Ben Ben”, Savimbi lhe telefonou a dar a notícia e pediu para que o corpo não fosse trasladado para Angola, uma vez que nunca teria uma cerimónia “digna”. “Esperemos até que um dia o ‘Bem’ regresse e seja enterrado com dignidade. E ele (Savimbi) dizia: “podemos ser nós, ou outros”. Ele já não é, mas outros, sim, estão aqui. Se eu reparo na importância e na dignidade que se está a dar ao ato, vejo que, afinal, Savimbi tinha razão. Certamente não teria esta dignidade naquela altura”, terminou.

À chegada, os restos mortais de Arlindo Chenda Pena “Ben Ben” foram recebidos com honras militares por altas individualidades do Governo angolano, bem como pelo “Estado-Maior” da UNITA, altas patentes das Forças Armadas e a própria família.

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