Alterações Climáticas

Governos aprovam relatório do Grupo de Especialistas em Clima da ONU

Arábia Saudita contestou expressamente documento, mas maioria dos países aprovou relatório que analisa impacto do aquecimento global de 1,5 graus em todo o planeta, que pode ocorrer em breve.

Países chegaram a acordo para assinar documento que assume alterações climáticas

José Sena Goulão/LUSA

Os governos aprovaram este sábado o último relatório científico sobre alterações climáticas do Grupo de Especialistas em Clima da ONU, que mostra os fortes impactos do aquecimento de 1,5 graus Celsius, apesar da contestação expressa pela Arábia Saudita.

O encontro fechado do Grupo de Especialistas em Clima da ONU (GIEC), que começou na segunda-feira em Incheon, na Coreia do Sul, teve de ser prolongado por mais um dia, tendo as últimas horas sido especialmente dedicadas a resolver a oposição manifestada por Riade.

No relatório, cujo resumo foi aprovado por consenso pelos Estados, mas que só será publicado na segunda-feira, os cientistas descrevem, com base em seis mil estudos, os impactos de um aquecimento de mais 1,5 graus Celsius, um nível que a Terra poderá atingir já em 2030 (2030-2052) devido à falta de uma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo diversos participantes, a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, contestou um capítulo referente aos compromissos assumidos em Paris pelos Estados para reduzir as suas emissões e sublinhou a sua insuficiência global se o mundo quiser permanecer a 1,5°C.

“Finalmente, a Arábia Saudita levantou seu bloqueio porque estava prestes a terminar com uma nota de rodapé”, disse à agência France Press um observador que pediu anonimato.

Ao longo da semana, governos e investigadores releram linha por linha o resumo apresentado pelos cientistas e os principais desafios a serem resolvidos sem infligir grandes “danos” ao texto original, segundo um participante.

“Estávamos à espera de negociações difíceis, e estamos satisfeitos por ver que os governos fizeram uma verdadeira reflexão sobre os elementos científicos”, afirmou no final da reunião, Stephen Cornelius, conselheiro sénior da WWF, à agência France Press.

“Os compromissos atuais dos países para reduzir as emissões não serão suficientes para limitar o aquecimento de 1,5ºC, você não pode negociar com a ciência”, acrescentou Stephen Cornelius.

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