O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, afastou a direita do poder numa solução “à portuguesa”, como foi chamada em Espanha, e continua a inspirar-se na “geringonça” liderada por António Costa. Depois de uma coligação com a esquerda e os nacionalistas que levou à queda de Rajoy, o líder do PSOE tenta aprovar o Orçamento do Estado para 2019, através de acordos com esses partidos. E vai começar com um pacto com o Podemos, discutido na manhã desta quinta-feira na Moncloa, que, como destaca o El País, inclui o aumento do salário mínimo para 900 euros.

Além do salário mínimo, as reivindicações da esquerda espanhola (Podemos) são muito idênticas à da esquerda portuguesa (BE, PCP e PEV). O Podemos exige uma maior proteção aos inquilinos e mais poderes para as autarquias regularem os preços do arrendamento em zonas de grande intensidade, bem como um aumento de 1% na taxa de riqueza sobre fortunas superiores a 10 milhões de euros. No rol de exigências do Podemos estará ainda o aumento das bolsas de estudo e a redução das propinas no ensino superior.

O Podemos começou por exigir um aumento para 1000 euros, mas Sanchéz só quer chegar a esse valor em 2020. Mais uma vez parece algo tirado a papel químico da experiência portuguesa. A diferença é nos valores: o PCP insiste, por exemplo, nos 650 euros de salário mínimo (o Podemos quer 1000). Costa não deverá aumentar o salário mínimo mais do que 615 euros (Sanchéz não passará dos 900).

Há aqui uma nuance, até agora, o salário mínimo de 858,55 euros mensais em Espanha (ao contrário de Portugal) era pago em 12 meses, estando estabelecido o valor anual: 10.302,6 euros. Isso seria equivalente a um salário mínimo de 735 euros no método português (14 meses). O Podemos exige, porém, um duplo aumento: para 900 euros e para 14 meses.

Apesar deste pacto PSOE-Podemos, os dois partidos juntos só têm 151 deputados, num total de 350 deputados. Ou seja: é preciso 175 deputados para viabilizar o Orçamento. Depois de negociar com o Podemos, a mais difícil das negociações, Sanchéz terá de se sentar à mesa com os nacionalistas. Segundo o El País,  ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) e o PdeCAT (Partido Democrata Europeu Catalão) aguardam a chamada de Sanchéz, tal como o PNV, o Partido Nacionalista Basco, que ajudou a afastar Rajoy da Moncloa.

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