Rosa Grilo, mulher do triatleta assassinado a 15 de julho, escreveu uma carta a Francisco Moita Flores descrevendo a forma como foi detida e questionando se é assim que PJ costuma atuar na detenção de suspeitos. O antigo inspetor da PJ respondeu que não encontrava nenhuma ilegalidade nas conversas entre os agentes e a suspeita e o filho. As cartas foram publicadas pela revista TVGuia (aqui divulgadas pela Flash) onde Moita Flores é cronista.

“Sou arguida no processo de homicídio do meu marido, Luís Miguel Grilo e independentemente das considerações que possa ter em relação a este assunto ou sobre mim, gostava de ver esclarecidos, também para conhecimento do público em geral, os métodos utilizados pela Polícia Judiciária”, escreveu Rosa Grilo, no dia 12 de outubro, a partir da prisão de Tires onde se encontra presa preventivamente desde 29 de setembro.

Na descrição que faz da detenção, Rosa Grilo, acusada de ter morto o marido em conjunto com António Joaquim, considerou que os inspetores tinham demonstrado “falta de bom senso” e “falta de humanidade” em relação ao filho de 12 anos que estava presente em casa no momento em que a mãe foi detida — dia 26 de setembro, pelas 7 horas.

“Não ofereci qualquer tipo de resistência , como em tantas outras vezes que lá foram”, escreve Rosa Grilo. “Começaram de imediato a revirar a casa sem qualquer preocupação com o meu filho.”

A mulher do triatleta refere que os inspetores da Brigada de Homicídios lhe dirigiram insultos, que começaram imediatamente a revistar a casa e que a detiveram sem terem em consideração que estava uma criança presente. “Bastariam 45 minutos para que o menino estivesse na escola e tivesse sido poupado ao que se passou naquela manhã.”

Rosa Grilo diz ainda que o filho foi interrogado durante duas horas sem que ela estivesse presente e questiona Francisco Moita Flores, enquanto antigo inspetor da PJ, quanto à forma “como procedem à detenção de suspeitos quando há menores envolvidos”.

Na resposta de Francisco Moita Flores a Rosa Grilo, também divulgada pela TVGuia, o antigo inspetor refere que a detenção de alguém indiciado por um crime grave na presença de uma criança obedece a duas preocupações: “A primeira é cumprir o mandado de captura. A segunda preocupação, que decorre do ato policial, é encontrar alguém que tome conta do menor naquele momento.” O antigo inspetor entende que “prender alguém é sempre um momento marcante na vida de quem é detido”. Mas acrescenta que “também é uma intervenção firme em nome da autoridade do Estado”.

Sobre as conversas entre os agentes e a criança, Moita Flores não vê qualquer problema. “Não existe qualquer ilegalidade nas conversas que houve entre a senhora com os inspetores, nem destes com o menor. Não estão a tomar declarações formais, não estão a interrogar formalmente.” Acrescentando, que o que tiver sido dito nestas conversas não pode ser usado contra ela ou contra o outro arguido.

Moita Flores termina a carta dizendo que Rosa Grilo, em vez de estar preocupada com a forma como decorreu a detenção na presença da criança, devia estar mais preocupada com o facto de ter sido detida por ser suspeita da morte do marido, pai da criança. “De repente, o seu filho ficou sem o pai, assassinado às mãos de alguém. Desgraçadamente, é a mãe a principal suspeita e, por isso, está detida. É uma dor de alma, saber um puto órfão devido à maldade criminosa. Esse, sim, é o problema que a deve atormentar no que respeita ao bem estar dessa pequena criatura.”

Na carta enviada, Rosa Grilo mostrava interesse em enviar outras cartas ao antigo inspetor para esclarecer outras situações, nomeadamente sobre como decorreram os interrogatórios.

Rosa Grilo deixou claro, na carta enviada, que era desnecessário que o filho tivesse sido exposto à situação da sua detenção, mas a entrevista que deu à SIC para contar a sua versão da morte do marido foi feita na presença do filho que a visitava na prisão. Nesta versão, Rosa Grilo diz que terão sido dois angolanos e um “indivíduo branco” a matar o marido na sua presença. Depois, disse, foi obrigada a eliminar todos os vestígios do que se tinha passado em casa e coagida a não revelar nada. “Menti porque fui ameaçada.”