A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul informou esta quarta-feira que denunciou ao Governo a falta de embarcações da Transtejo e da Soflusa e a sucessiva supressão de ligações, exigindo que o Estado passe de “anúncios a ações”.

“Estas últimas semanas têm sido críticas no serviço prestado pela Transtejo, com a sucessiva supressão de ligações entre Cacilhas e o Cais do Sodré, pelo que é urgente dotar esta empresa de mais barcos, da séria manutenção dos equipamentos existentes e de mais trabalhadores”, mencionou a organização em comunicado.

Na segunda-feira, a Soflusa, empresa responsável pelas ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, anunciou que, devido a um “incidente inesperado” com uma embarcação, as carreiras entre as duas margens poderiam sofrer “atrasos ou supressões”, uma vez que passariam a operar apenas com cinco navios.

Perante esta situação, a comissão de utentes enviou ao Governo, aos Grupos Parlamentares e à Área Metropolitana de Lisboa uma “denúncia do que se tem estado a passar”.

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Para os utentes, os problemas têm vindo a “agravar-se” e, por isso, exigiram que o Governo “passe dos anúncios às ações”.

A organização referia-se ao anúncio da aquisição de dez novos navios para a Transtejo e Soflusa, ao reforço de verbas para a manutenção da frota e à proposta do Orçamento do Estado para 2019, que prevê 875 mil euros para estas empresas.

“Os utentes da Transtejo e da Soflusa não atravessam o rio com anúncios de futuros barcos, de futuras manutenções, da futura contratação de trabalhadores”, defenderam.

A comissão referiu ainda que, apesar de valorizarem a adesão dos responsáveis da Área Metropolitana de Lisboa a um passe intermodal único nesta região, “os utentes de transportes estão cheios de anúncios e exigem respostas concretas aos problemas do setor”.

“Não se pode esperar que as pessoas prefiram utilizar o transporte público em detrimento do transporte individual, quando este não é minimamente fiável, como se passa com o serviço que tem sido prestado pela Transtejo e Soflusa”, afirmou.

Também o Sindicato da Marinha Mercante defendeu, na segunda-feira, que a falta de embarcações na empresa deve ser “resolvida o mais rápido possível”.

“Deviam ser sete as embarcações ao serviço e estavam seis, ou seja, já estava no limite. Agora são cinco os barcos disponíveis, o que vai causar perturbações na circulação, em especial nas horas de ponta do período da manhã”, apontou.

Na mesma ocasião, a Soflusa garantiu que tomou “de imediato” todas as medidas necessárias para “repor a normalidade da operação tão breve quanto possível”.