Sporting

O primeiro capítulo de “Miguel e uma bola”, a história de um miúdo de 19 anos feito para os grandes palcos

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Miguel Luís jogou um par de minutos com o Loures, outro par com o Santa Clara e foi pela primeira vez titular frente ao Arsenal. Aos 19 anos, médio chegou onde o pai não conseguiu. E está a começar.

Miguel Luís fez o primeiro jogo como titular pelo Sporting no Emirates Stadium, frente ao Arsenal de Aubameyang e Guendouzi

Jorge Amaral / Global Imagens

No início dos anos 90, era normal juntar as equipas da formação que tinham sido campeãs nacionais no velhinho estádio José Alvalade e tirar a habitual fotografia da praxe. Naquela imagem, havia dois grandes destaques mas na equipa técnica: Fernando Mendes, o antigo capitão que ganhou a Taça das Taças em 1964 e que se sagrou campeão como jogador e técnico, e Bastos, outro nome de peso na história leonina. Depois, surgiam muitos miúdos, todos eles vencedores do título de juniores dessa temporada. Um deles era Nuno Valente, lateral esquerdo que ganharia uma Champions pelo FC Porto. Outro era Andrade, médio defensivo que passaria pelo Benfica, onde é hoje coordenador técnico do futebol feminino. Outro ainda era Poejo, médio que fez carreira na 1.ª Divisão e está agora como treinador adjunto da Academia. O que mais se destacava até era Paulo Morais, guarda-redes internacional pelas camadas jovens que prometia um futuro que não se veio a confirmar. E havia Nuno Luís.

Miguel Luís ocupou a vaga de Battaglia e jogou ao lado de Gudelj no meio-campo do Sporting (Richard Heathcote/Getty Images)

Lateral direito, foi descoberto quando jogava nos infantis de Alverca e fez toda a formação no Sporting, concluída com o título de campeão de juniores. No primeiro ano de sénior, no Verão de 1993, acabou por sair para a Académica “tapado” pela dupla que esteve durante algumas temporadas a assegurar a posição no conjunto principal – Nelson e Marinho. Não mais voltaria a Alvalade, numa carreira onde, depois de quatro temporadas no Campomaiorense, chegou à Liga espanhola através do Salamanca. Regressou depois a Portugal em 2001, com uma época no Nacional antes de passar mais cinco anos em Coimbra e acabar a carreira com uma fugaz passagem pelo Chipre, ao serviço do Omónia. Dificilmente Nuno Luís poderia imaginar que voltaria ao Sporting mas como adepto, num novo estádio José Alvalade, para apoiar o filho nascido em Coimbra, em 1999.

Depois de entradas quase no final dos jogos com Loures (Taça de Portugal) e Santa Clara (Campeonato), Miguel Luís foi esta quinta-feira lançado como titular na vaga deixada em aberta pelo lesionado Battaglia e logo numa sempre complicada deslocação a Londres para defrontar o Arsenal. Pelas próprias características do jogo, não teve grandes oportunidades para dar nas vistas mas lutou, tapou espaços, foi importante sem bola e conseguiu algumas vezes chegar a equipa à frente. Substituído a cinco minutos do final por Petrovic para segurar o nulo, ficou o registo de um dia que não esquecerá.

Estou muito feliz pela estreia, já sabia e trabalhei para merecer esta oportunidade. Conquistei o meu espaço e espero continuar a receber mais oportunidades como esta. Foi um resultado positivo, porque é sempre positivo empatar com o Arsenal. Queríamos a vitória mas jogámos bem, portámo-nos como uma verdadeira equipa e agora já pensamos no próximo jogo. O que me disse Tiago Fernandes? Para jogar como vinha a treinar. Sabia que tinha a confiança total do mister e dos meus companheiros. Este é o resultado do trabalho diário que tenho vindo a fazer”, comentou Miguel Luís no final do jogo.

Chegado aos leões com apenas dez anos, depois de ter começado na Académica, Miguel Luís fez todos os escalões de formação do Sporting. Foi campeão regional nos iniciados e nos juvenis, foi campeão nacional nos juvenis e nos juniores e destacou-se também numa das mais promissoras gerações nacionais dos últimos anos, estando habituado a grandes palcos como aqueles onde ganhou o Campeonato da Europa de Sub-17, em 2016, e Sub-19, neste Verão, além de ter participado no Mundial Sub-20.

“Em criança, era o Miguel e uma bola. Com apenas um ano, porque o Miguel começou a andar muito cedo, quando viu uma bola à frente passou a ser o ‘Miguel e uma bola’. É uma relação que espero que continue a durar. Gosta da bola e está a tentar lutar para ter uma profissão ao mais alto nível com a bola. A definição é essa: o ‘Miguel e uma bola'”, contou Nuno Luís à rádio Renascença na antecâmara da estreia pelo Sporting, em Alverca contra o Loures. “A conquista de títulos do Miguel já vem de há algum tempo, é um jogador que já tem algum traquejo ao nível da formação. A nível profissional, está a dar os primeiros passos. Tem de conquistar o seu espaço e demonstrar que tem capacidade para lutar por um lugar no Sporting”, acrescentou.

“Já tinha lançado o Miguel nos Açores, para mim não é surpresa. Cumpriu, tal como os outros. Quando tens um coletivo como temos, é fácil os miúdos chegarem à equipa porque os mais velhos ajudam. Isto é o Sporting, ADN da formação, ir integrando estes jogadores ao poucos”, destacou Tiago Fernandes na flash interview depois do jogo com o Arsenal, falando de um jogador que comandou como iniciado e, mais tarde, como júnior.

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