Enfermeiros

Hospital de Cascais tem enfermeiros a fazer 60 horas/semana e turnos desfalcados

1.516

A Ordem dos Enfermeiros denunciou a existência de profissionais contratados no Hospital de Cascais para trabalhar 60 horas semanais, carga horária que põe em risco a segurança dos cuidados.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

A Ordem dos Enfermeiros denunciou este sábado a existência de profissionais contratados no Hospital de Cascais para trabalhar 60 horas semanais, carga horária que põe em risco a segurança dos cuidados, e tem serviços com apenas um enfermeiro por turno.

Estas situações são apresentadas num relatório de uma visita realizada em agosto ao Hospital de Cascais, a que a agência Lusa teve acesso, e que a Ordem dos Enfermeiros remeteu para a ministra da Saúde, Marta Temido, no final do mês passado.

Segundo o documento, o Hospital de Cascais “tem enfermeiros contratados em regime de prestação de serviço, a recibos verdes, com contratualização de 250 horas mensais de trabalho (62,5 horas/semana)”.

Para a Ordem, esta carga horária semanal “configura um gravíssimo risco na segurança dos cuidados prestados e também na qualidade”.

No documento enviado à ministra, a bastonária Ana Rita Cavaco refere que o Hospital de Cascais, embora sendo uma parceria público-privada, devia aplicar as 35 horas semanais definidas para todo o Serviço Nacional de Saúde: “Não o fazer gera uma situação de profunda desigualdade entre instituições”.

No relatório, a Ordem denuncia ainda que há serviços no Hospital de Cascais com apenas um enfermeiro a assegurar um turno, como a pediatria ou a ginecologia, no horário noturno, entre as 20:00 e as 8:30.

“A situação é absolutamente inadmissível”, escreve a Ordem, sublinhando que isso pode comprometer a vida dos doentes e a prestação de cuidados de enfermagem.

O Hospital de Cascais estará ainda, segundo a Ordem dos Enfermeiros, a cometer uma ilegalidade ao “dispensar” enfermeiros de turnos avisando-os na véspera, alegando que “há poucos doentes internados”.

“Este tipo de gestão, que já agora é ilegal, faz com que alguns enfermeiros fiquem a dever horas ao serviço. Em alternativa acontece também serem mobilizados, durante o turno em curso, para outros serviços, que nem conhecem”, indica o documento.

Outra das situações que em Cascais preocupa a Ordem prende-se com a constituição da equipa de emergência médica intra-hospitalar, que integra um enfermeiro da unidade de cuidados intensivos.

Contudo, esse profissional continua a ter doentes atribuídos durante aquele turno, o que faz com que o enfermeiro seja “forçado” a deixar os doentes dos cuidados intensivos quando a emergência intra-hospitalar é ativada. Deste modo, a unidade de cuidados intensivos fica com número insuficiente de enfermeiros.

A bastonária dos Enfermeiros frisa à ministra da Saúde que “a falta de contratação de enfermeiros” para as “já desfalcadas equipas” deixa os serviços “incapazes de garantir a segurança das pessoas e dos próprios profissionais de saúde”.

Ana Rita Cavaco defende que os serviços e as chefias de enfermagem devem “propor o encerramento de áreas funcionais” quando não há enfermeiros em número suficiente, sendo esta uma medida para a segurança das pessoas que procuram o SNS.

Contactado pela Lusa, o Hospital de Cascais não rebateu, numa declaração enviada por escrito, as situações denunciadas no relatório da Ordem dos Enfermeiros, referindo que a unidade “rege-se pelas melhores práticas laborais e cumpre todas as normas em vigor” que regulam a prática profissional dos enfermeiros.

“A segurança dos doentes e a qualidade dos cuidados prestados é uma prioridade para o Hospital de Cascais. Assim, determinadas as necessidades, os horários e turnos são ajustados de acordo com a disponibilidade dos profissionais de saúde e de forma a garantir a prestação de cuidados e a multidisciplinaridade das equipas”, afirma ainda a nota escrita.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)