O jornal norte-americano The New York Times publicou este domingo uma reportagem onde dá a conhecer a vila piscatória da Nazaré. Com relatos de surfistas e locais apresenta uma visão encantadora do local que tem cada vez mais adeptos.

A Nazaré ficou nas bocas do mundo depois de em 2011 o surfista Garrett McNamara ter batido o recorde da maior onda do mundo alguma vez surfada (agora o recorde é do brasileiro Rodrigo Koxa). Durante anos, foi uma vila do litoral tradicional, onde os pescadores ensinavam as crianças a evitar as ondas gigantes que embatiam contra as altas falésias.

Agora, estas ondas parecem idealmente desenhadas para os surfistas como McNamara, fãs ou empresas que apoiam os amantes do desporto. E a vila pacata tem cada vez mais gente e movimento, incluindo por vários surfistas que já se mudaram em definitivo para a Nazaré.

Maya Gabeira, que bateu o recorde da maior onda alguma vez surfada por uma mulher, contou ao mesmo jornal que “é muito interessante a mistura de história e de tradição – e a comunidade de surf”.

Com cerca de 10 mil habitantes, a Nazaré torna-se cada vez mais especial para quem a visita. Mas isso depende da história de quem a conta. Para Dino Casimiro, um professor de desporto nascido na Nazaré, tudo mudou em 2002 quando foi escolhido por um formador para ajudar a popularizar a indústria de desportos aquáticos entre os locais e a publicitar as ondas da Nazaré entre os estrangeiros. Já para Walter Chicharro, o presidente da Câmara da Nazaré, o momento charneira deu-se quando foi eleito em 2013 e pôde começar a investir na publicidade e profissionalização da “cidade do surf”.

Até McNamara surfar a grande onda, as águas da Nazaré eram águas desconhecidas. Com todo o mediatismo, o turismo cresceu exponencialmente a a economia da região teve que acompanhar esse avanço. Em 2014, havia cerca de 40 mil pessoas a visitarem a região, ao passo que em 2018 já eram 220 mil, mais do que cinco vezes mais.

Escolas de surf e lojas de souvenirs são agora o grande negócio da Nazaré. A vila até já conta com um festival de cinema dedicado ao surf, o Surf Film Festival. Mas para a maioria dos habitantes locais a visão que as pessoas têm do surf mudou com McNamara. Para Paulo Peixe, em declarações ao mesmo jornal, afirma que anteriormente “os surfistas eram vistos como pessoas que não gostavam de trabalhar”, mas agora o panorama mudou. “Agora é diferente. Há a ideia de que o surf é bom”, remata.

A Nazaré tornou-se sobretudo num refúgio dos amantes do surf. Foram vários os surfistas que decidiram sair dos seus países e mudar-se para a pequena vila piscatória na região Oeste de Portugal. A altura das ondas e a sua regularidade em vários períodos do ano encantam os que por lá passam. “É tão consistente”, diz David Langer, um surfista americano que se mudou para a Nazaré em 2013. “É literalmente dez vezes mais ativa do que outros locais que têm grandes ondas”, sublinha.

Para  Tim Bonython, um realizador de documentários reconhecido no mundo do surf e que comprou uma casa há pouco tempo na Nazaré, “não há outro sítio no planeta em que se possa surfar ondas gigantes como na Nazaré”, conta, ao The New York Times.