Rui Rio

Caso José Silvano: Rui Rio garante que nunca disse que “não deixa cair os amigos”

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Relatos garantiam que o líder do PSD tinha saído, assim, em defesa de Silvano, num encontro com militantes em Viseu. Em comunicado, o PSD fala em "mentira perversa" divulgada "maldosamente".

ESTELA SILVA/LUSA

O PSD garante que Rui Rio nunca disse que “não deixa cair os amigos”, a propósito do caso das faltas de José Silva, secretário-geral do partido. Num esclarecimento enviado às redações, o PSD diz que é uma “mentira perversa” divulgada “maldosamente” por quem quer dar a entender que “o líder do PSD não respeita regras éticas quando possam estar em causa pessoas de relacionamento muito próximo”

A notícia foi avançada pela Lusa, esta terça-feira. A agência de notícias citava relatos de um encontro do Presidente do PSD com militantes em Viseu, durante o qual Rui Rio teria afirmado que “não deixa cair os amigos”, quando questionado sobre a polémica em torno das falsas presenças do secretário-geral do partido no parlamento. De acordo com os tais relatos da reunião – que durou cerca de quatro horas -, terá sido o próprio Rui Rio a levantar o assunto, notando que não lhe tinha sido colocada qualquer pergunta sobre a polémica que marcou a semana passada.

Perante o desafio, terá sido questionado por um militante sobre como compatibilizava o caso de Silvano com o “banho de ética” que prometeu quando se candidatou à liderança do partido. Na resposta, Rio desvalorizou a polémica, negando que o secretário-geral tivesse agido de forma a receber indevidamente ajudas de custo.

Foi nesse contexto que, segundo a Lusa, o presidente social-democrata acrescentou que “não deixa cair os amigos”, e que “a última coisa” que faria seria deixar cair José Silvano, que é já o seu segundo secretário-geral desde que assumiu a liderança do PSD em janeiro.

No desmentido, o PSD diz que Rui Rio transmitiu “claramente” que “a falta de cumprimento dos princípios éticos não é aproveitar-se oportunisticamente da condenação mediática de alguém”, dizendo que é preciso fazer uma apreciação justa dos factos. O comunicado sublinha, aliás, que Rio “chegou mesmo a dizer que seria “um canalha” se se aproveitasse da fragilidade de terceiros para defesa cobarde da sua própria imagem”, já depois dos militantes terem compreendido “o exagero que foi dado a este caso”.

A sessão, que decorreu na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu, insere-se numa volta pelo país do líder do PSD, em que pretende debater diretamente com os militantes do partido, já tendo marcado presença em distritos como Porto, Aveiro, Coimbra ou Santarém, entre outros. Para quarta-feira, está prevista a reunião com os militantes de Lisboa.

O tema das faltas dos deputados ganhou relevo na última semana, com o caso das falsas presenças de José Silvano, em pelo menos duas reuniões plenárias, em 18 e 24 de outubro. Na sexta-feira, a deputada social-democrata Emília Cerqueira admitiu que pode sido ela inadvertidamente a registar José Silvano quando entrou no computador com a password do secretário-geral do partido para consultar documentos partilhados, o que levou o líder parlamentar, Fernando Negrão, a dar o caso como “encerrado”.

Na passada quinta-feira, seis dias após o Expresso ter noticiado o caso (em 3 de novembro), José Silvano fez uma declaração no parlamento, sem responder a perguntas dos jornalistas, na qual assegurou não ter pedido a ninguém para que o registasse em plenários nos dias em que faltou por se encontrar a realizar trabalho político em Vila Real e Santarém na qualidade de secretário-geral. Na mesma declaração, Silvano pediu que a Procuradoria-Geral da República, que já anunciou estar a analisar o caso, investigue o sucedido.

No dia 5 de novembro, na única vez em que se pronunciou publicamente sobre o caso, Rui Rio assegurou que mantinha a confiança política em José Silvano, e classificou o caso como do domínio das “pequenas questiúnculas”. “Claro que mantenho a confiança política. O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos. Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso”, afirmou, à margem de uma iniciativa no Porto.

(Notícia atualizada às 23h40, com o desmentido do PSD)

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