Videojogos

“Battlefield V”: um regresso a 1942

A EA lançou na terça-feira mais um jogo passado na II Guerra Mundial, produzido pela DICE. Com tantos "shooters" focados em "multiplayer" disponíveis no mercado, será que "Battlefield V" se destaca?

"Battlefield V" marca o regresso da série aos palcos da Segunda Guerra Mundial

Autor
  • Rubber Chicken

Dias depois das celebrações do armistício da guerra que deveria ter acabado com todas as guerras, foi lançado Battlefield V, o mais recente jogo da série da DICE, que começou em Battlefield 1942 (2002) e que volta agora à Segunda Guerra Mundial. Battlefield sempre se focou no multiplayer mas, ao contrário do seu grande concorrente nesta temporada, CoD Black Ops 4, tem uma vertente para o jogador a solo.

Três personagens diferentes, e no futuro uma quarta, partem em diferentes campanhas fora dos cenários típicos da Normandia ou de outros terrenos de batalha mais famosos, no norte da Europa ou nos desertos do norte de África. É nestes campos mais desconhecidos que o realismo cru de Battlefield 1 (2016) é recuperado, assim como a sua integração de combate armado clássico dos First-Person Shooters (FPS) com veículos como tanques ou aviões.

Apesar da campanha single player como ponto de venda, esta acaba por ser um pouco fraca no geral: as missões são simples e terminam num espaço de tempo relativamente curto, algo que não parece que vá ser corrigido mesmo após a inclusão do quarto elemento em falta. Fazer as missões do Franco-Atirador Norueguês do Comando Inglês ou Soldado Senegalês não é ver um capítulo de história ficcional, mas meros parágrafos ou linhas desses livros. Por mais coerentes e eloquentes que sejam, são apenas uma bonita flor num campo onde é difícil prestar atenção a detalhes tão finos. Estas missões são, todavia, interessantes de fazer e não devem ser negligenciadas porque tanto dão uma visão interessante de campos de batalha e temas menos conhecidos aos jogadores mais experientes na franquia, como também são um ótimo tutorial.

Podemos resumir o modo de campanha singular de Battlefield V dizendo que é semelhante aos filmes de ação dos anos 80 e 90, nos quais conseguia sozinha frustrar os ataques de batalhões inteiros. Tem um pouco de fantasia na simulação de realidade, mas feito de um modo que entretém o suficiente. Contudo, o modo singular é apenas um adereço para os fãs da série, já que o que é desejado é o modo multiplayer. Aqui ele brilha no seu máximo esplendor.

Desde o primeiro jogo da série que as batalhas massivas são o seu ponto chave — a escala aliada às capacidade de usar veículos é incomparável. Nesse sentido, Battlefield V tem um pedigree bastante forte e não fica atrás dos seu antecessores, aproveitando o melhor que estes ofereceram no passado e oferecendo-o aos jogadores num pacote mais polido e extremamente intenso. Nas massivas batalhas de 32 jogadores, a cooperação e camaradagem romantizada nos tempos pós-guerra são encorajados com as diferentes aptidões dos membros dos esquadrões.

Battlefield V honra a linhagem de valorosas representações video-lúdicas da guerra, mas sem deixar a sua marca na História. . Sem grandes inovações para com o seu antecessor, que viu a luz do dia há apenas cerca de dois anos, Battlefield V é um jogo entre o bom e o aceitável, mas longe das iterações que conduzia a um avanço qualitativo e técnico do mercado dos videojogos.

Battlefield V está disponível para PC, PS4 e Xbox One por aproximadamente 69,99 euros. A análise foi feita com uma cópia de análise digital enviada pela editora

João Machado, Rubber Chicken

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