Andrés Manuel Lopez Obrador toma hoje posse como Presidente do México, entre fortes expectativas no plano económico e no meio da turbulência dos problemas de refugiados.

A caravana com milhares de refugiados que se instalou nos arredores de Tijuana, para tentar atravessar a fronteira para os EUA, é um dos problemas principais que Andrés Manuel Lopez Obrador (conhecido pelas suas iniciais, AMLO) terá de enfrentar no início do mandato de seis anos.

O primeiro-ministro português, António Costa, será um dos vários chefes de governo e de Estado que fazem questão de assistir ao que o novo Presidente anuncia como sendo uma “nova e arrojada” etapa política do México.

Eleito com mais de 53% dos votos como candidato por uma coligação progressista de esquerda, AMLO prometeu fortes reformas económicas no México, a partir de um plano de investimento público, e maior igualdade social, com a duplicação do valor das pensões de reforma.

As medidas económicas são aplaudidas por uma parte importante da população, mas, de acordo com as sondagens, mesmo quem votou nele mostra-se menos confortável com a posição do novo Presidente perante o problema da imigração, em que AMLO parece ter uma posição muito conservadora.

Os críticos mesmo a sua posição com a de Donald Trump e recentemente apareceram cartazes a chamá-lo de “Juan Trump”, quando conheceram as suas ideias para um plano de contenção de imigrantes vindos da América Central.

Os adversários recordam ainda o recente elogio que Donald Trump fez a AMLO, dizendo que o governo mexicano se estava a comportar muito bem, ao aceitar ficar com os refugiados no seu território, enquanto aguardam resposta aos pedidos de asilo, processos que podem demorar vários meses.

A resposta de AMLO a este clima de contestação na área da segurança surge no lado da economia, onde o novo governo (que já tem uma equipa de transição a funcionar, desde as eleições até à tomada de posse, no sábado) tem levado a referendo várias medidas de reforma.

A eleição de AMLO acontece à terceira tentativa, depois de ter falhado as candidaturas em 2006 e 2012, e após ter abandonado o governo local da capital, Cidade do México, que liderou entre 2000 e 2005.