Iémen

Iémen deverá registar a entrada de quase 150 mil migrantes em 2018

O Iémen continua a ser uma etapa da rota dos migrantes africanos que viajam até ao Djibuti, antes de uma jornada pelo Golfo de Aden até ao país. Este é um aumento de 50% relativamente ao ano passado.

Cerca de 20% destes migrantes são menores "e muitos não estão acompanhados", segundo o porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM)

YAHYA ARHAB/EPA

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  • Agência Lusa

O Iémen deverá registar a entrada de quase 150 mil migrantes em 2018, 50% mais do que no ano passado, apesar do agravamento da crise humanitária no país, informou esta terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Nós prevemos que as chegadas de migrantes ao Iémen, um país que está em guerra, cheguem a cerca de 150 mil pessoas neste ano”, declarou o porta-voz da OIM, Joel Millman, aos jornalistas em Genebra.

O Iémen continua a ser uma etapa da rota dos migrantes africanos que costumam viajar por terra até ao Djibuti, antes de uma jornada perigosa pelo Golfo de Aden até ao Iémen, de onde tentam chegar aos países ricos do Golfo Pérsico. Cerca de 20% destes migrantes são menores “e muitos não estão acompanhados”, precisou Millman, descrevendo como “extraordinário e perturbador” o facto de que tantas pessoas “estão a atravessar uma perigosa zona de guerra”.

O caos parece servir como um argumento para os contrabandistas prometerem escapar aos controlos, disse o porta-voz. Entretanto, “é claro que, uma vez chegados ao país, a situação é muito diferente. Há campos minados para atravessar, troca de tiros”, sublinhou.

Cerca de 92% dos migrantes que entraram no Iémen este ano são etíopes, o restante veio da Somália, segundo a OIM, que não tem números sobre o número de migrantes que morreram quando tentavam atravessar o país. Segundo Millman, 156 mortes de migrantes no mar foram confirmadas este ano, mas “não há dúvida de que (as mortes) estão subestimadas”.

A OIM realizará uma conferência no Djibouti, na quarta-feira, “para implementar urgentemente melhorias na gestão dos fluxos migratórios para o Iémen e os países do Golfo”. Sete países participarão (Djibuti, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Kuwait, Somália e Iémen) na reunião.

O Iémen está a ser atingido por um conflito em grande escala desde a intervenção militar de uma coligação sob o comando saudita em março de 2015, que já deixou 10.000 mortos e mais de 56.000 feridos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As organizações não-governamentais (ONG) acreditam que o número real de vítimas diretas e indiretas do conflito é muito maior.

A ONU alertou esta terça-feira “o Iémen nunca esteve tão perto da fome” e que quase 80% da população, ou aproximadamente 24 milhões de pessoas, “agora precisa de alguma forma de proteção e de assistência humanitária”. “O país com maiores problemas em 2019 será o Iémen”, afirmou esta terça-feira Mark Lowcock, sub-secretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, numa conferência de imprensa em Genebra para apresentação do plano humanitário global para 2019.

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