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Como Rio ajudou a oposição eslovaca a protestar contra um dos “Órbans” dos socialistas europeus

Líder de partido da oposição eslovaca pediu, em Helsínquia, ajuda a Rio para protesto em Lisboa. Aljoz Hlina queria audiência com Costa, que não foi concedida, mas distribuiu flyers

Alhos Hlina lidera um pequeno partido da oposição da Eslováquia, o KDH, de centro-direita

Alojz Hlina, líder de um partido de centro-direita da oposição eslovaca, começou há muito a preparar a vinda a Lisboa para fazer um pedido a António Costa: que exigisse a expulsão do primeiro-ministro da Eslováquia do Partido Socialista Europeu, que acusa de estar envolvido no assassinato de jornalistas. No início de novembro, no Congresso do Partido Popular Europeu (PPE), em Helsínquia, Alojz Hlina pediu um encontro com o líder do seu partido-irmão (o PSD). No encontro bilateral em Helsínquia, o líder do KDH disse a Rui Rio que viria fazer um protesto em Lisboa durante o congresso dos socialistas. Rio terá respondido que ir a manifestações não é com ele, mas a nível de comunicação, ajudaria no que pudesse. Em Lisboa, Hlina contou ao Observador que não conseguiu chegar à fala com Costa, mas conseguiu entregar um folheto com denúncias sobre o governo eslovaco a quase todos os delegados.

Logo quarta-feira, com o apoio da do PSD, o partido eslovaco fez chegar às redações a carta que enviou a António Costa, bem como a informação de que estaria no ISCTE — local do Congresso do Partido Socialista Europeu — em protesto. Na carta, Hlina pedia uma audiência com Costa para lhe “falar sobre as suspeitas de corrupção que recaem sobre dirigentes do SMER-SD [partido liderado pelo primeiro-ministro eslovaco Robert Fico]  e do alegado envolvimento no assassinato do jornalista Jan Kuciak e da sua noiva Martina Kusnirova.” E acrescentou: “Como saberá foram assassinados a tiro, em casa, no mês de fevereiro de 2018”.

Na carta, Alojz Hlina lembrava que “a polícia suspeita que o crime esteja relacionado com o trabalho do jornalista que estava a investigar a relação entre membros do governo e mafiosos italianos” e que “as mortes deram origem a uma crise política, grandes manifestações, e à queda do Governo.

Para este líder partidário seria “muito importante para a saúde da democracia na Eslováquia que o primeiro-ministro português, tal como está disposto a fazer com Angola, ajudasse também a combater a
corrupção no nosso país começando por dar o exemplo na sua família política.

Hlina deixou assim um apelo a Costa para que se distancie de Robert Fico como se distanciou de Sócrates: “Espero que o senhor primeiro-ministro António Costa, à semelhança do que o Partido Socialista português fez em relação ao seu antigo secretário geral e antigo primeiro Ministro, interceda junto do presidente dos socialistas Europeus para que se distanciem de Robert Fico”.

Ao Observador, Hlina explicou que veio a Lisboa porque teve conhecimento que “o governo português declara uma forte luta contra a corrupção” e que, “se essa luta é real”, então Costa “tem de atuar na questão do partido SMER-SD”. Apesar de ter enviado o pedido de audiência a António Costa, o líder do KDH, não obteve resposta: “Nesse caso, não fomos bem sucedidos”. Ainda assim, Hlina não se arrepende de ter vindo a Lisboa: “Já demos a quase todos os delegados do Congresso um folheto, onde foi escrita a verdade sobre o SMER-SD”.

O início do folheto onde o KDH faz, em português, várias denúncias sobre Robert Fico.

Robert Fico é rotulado pela direita europeia como um dos “órbans dos socialistas europeus” (por ser incómodo para a família política), a par de outros chefes de Governo socialistas, como o primeiro-ministro maltês, Robert Muscat , cujo partido é suspeito de ter estado envolvido no assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, e da primeira-ministra romena, Viorica Dăncilă, que lidera um governo com problemas de corrupção e que tem tomado decisões polémicas como a de mudar a embaixada romena de Telavive para Jerusalém.

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