O ano está a acabar, mas ainda há uma última chuva de estrelas que nos vai voltar a colocar de olhos postos no céu na noite desta quinta-feira (dia 13) para sexta-feira (dia 14). Trata-se, na verdade, da chuva de meteoros das Gemínidas, que ocorre todos os anos em meados de dezembro, quando a Terra passa por uma massa de sedimentos espaciais que entram em combustão ao contactarem com a atmosfera do planeta.

Foi a pensar num dos eventos astronómicos mais especiais do ano, que a Google criou um doodle interativo que contém sete slides que contam através de imagens o percurso dos meteoros até ao momento em que entram na atmosfera da Terra. Basta entrar na página inicial do motor de busca e partir à descoberta.

No pico desta chuva de meteoros caem 120 estrelas cadentes por hora, sendo esta a melhor altura para assistir ao fenómeno. Mas, há um problema: este ano, esse momento vai ocorrer por volta das 12h30 desta sexta-feira, ou seja, quando ainda é de dia. Até mesmo na noite anterior pode ter algumas dificuldades, se estiver em Portugal, tendo em conta que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê céu nublado para todo o país. Ainda assim, se tiver sorte e paciência, saiba que chuva de meteoros é esta, o que pode observar e que cuidados deve ter.

O que é a chuva de meteoros geminídeos?

Todos os anos, em meados de dezembro, a órbita do planeta Terra passa por uma massa de sedimentos espaciais, deixada para trás por um asteroide que dá pelo nome de 3200 Phaethon. O pó e os sedimentos deixados em suspensão no espaço começam a arder ao entrarem em contacto com a atmosfera do planeta, criando um efeito incandescente que ilumina o céu da Terra.

Quando a Terra cruzar a órbita do asteroide Faetonte, entre quatro e 17 de dezembro, os meteoroides libertados por este corpo celeste, que tem uma cauda como se fosse um cometa, poderão ser vistos no céu como se saíssem da constelação de Gémeos (daí o nome que lhes é dado). “Os apaixonados por este tipo de fenómenos, e os curiosos em geral, poderão nas próximas noites perder algumas horas de sono para apreciar este belo espetáculo”, diz o Observatório de Astronomia de Lisboa.

A massa rochosa que deu origem a estas poeiras suspensas foi vista pela primeira, vez via satélite, há 35 anos, embora a NASA afirme que este fenómeno já é conhecido e observado desde o início do século XIX.

Como se pode observar?

A cada ano que passa, o fenómeno tende a intensificar, estimando poder-se observar chuvas de estrelas com cerca de 120 meteoros por hora. A NASA deixa um conselho a todos os amantes do espaço: “Deitem-se de costas, olhem diretamente para o céu e observem tanto quanto possível. Não serão necessários telescópios para desfrutar deste espetacular evento”.

Já o Observatório de Astronomia de Lisboa acrescenta à lista de conselhos que se evite noites nubladas, a poluição luminosa das grandes cidades e que se procure um horizonte desimpedido. Há uma coisa que joga a favor dos curiosos: nos próximos dias a Lua vai estar em quarto crescente, o que significa que não refletirá tanta luz vinda do Sol. De qualquer modo, o melhor será olhar para o lado contrário ao da Lua, porque será a região menos iluminado do céu.

A NASA disponibilizou um mapa do céu na noite desta quinta-feira para sexta. Clique na imagem para a ver em tamanho maior (NASA)

Que conselhos dão os astrónomos?

A noite espera-se fria, por isso o melhor é ir prevenido. Vista-se com roupa quente, não se esqueça dos gorros e das luvas, e leve um casaco impermeável para o caso de chover. A NASA aconselha também a deixar o telemóvel de parte, uma vez que a luz do ecrã pode prejudicar a visão noturna. Mas seja paciente: tem sempre de esperar 30 minutos até que os olhos se adaptem à escuridão.

Outro conselho de amigo: não fixe o olhar em apenas um ponto do céu. O truque está em olhar para várias zonas e assim aumentar a probabilidade de encontrar uma estrela cadente. Além disso, deve esperar que a Lua se ponha para que a luz não ofusque a luminosidade dos meteoros mais pequenos. Deve também evitar olhar diretamente para a constelação de Gémeos: é de lá que os meteoros vêm e, portanto, é nessa região do céu que parecem mais velozes.

A partir de dia 17, e até dia 26, a chuva de estrelas será causada pelos restos deixados pelo cometa Tuttle, que passou pela última vez na Terra no final de 2007 início de 2008. Os meteoros tomam o nome de Úrsidas porque parecem sair da constelação da Ursa Menor e o seu pico será dia 22 de dezembro. Mas com um pico muito menos expressivo do que o das Gemínidas com apenas 10 meteoros por hora.