No universo dos hipercarros há, neste momento, dois adversários prestes a mostrar o que valem. Por um lado, a Aston Martin, que foi a primeira revelar a intenção de colocar a circular nas estradas um superdesportivo com uma aerodinâmica brutal – daí que tenha recorrido ao mago Adrian Newey – e uma potência a condizer, superior a 1.000 cv e que, para mais, se iria socorrer dos préstimos de um sistema tipo KERS da Fórmula 1. Mas depois chegou a Mercedes-AMG, que no Salão de Frankfurt de 2017, apresentou um protótipo capaz de pedir meças ao Valkyrie, o Project One, que em vésperas do último Salão de Paris deixou “cair” o Project e passou a chamar-se apenas One.

Designações à parte – Valkyrie também é um nome que pode deixar muito a desejar –, aquilo que verdadeiramente irá diferenciar estas duas radicais propostas, para além do peso e da aerodinâmica, será sobretudo a mecânica. Ora, neste ponto, enquanto a Aston Martin pediu à Cosworth um bloco atmosférico, prescindo da sobrealimentação em troca da superior nobreza do V12 naturalmente aspirado mais potente do mundo (1.014 cv), a Mercedes optou por recorrer a uma solução herdada da Fórmula 1, aliando a um seis cilindros “pequenino”, com apenas 1.6 litros e cerca de 700 cv, um conjunto de motores eléctricos – dois no eixo anterior e um a completar a potência do motor a combustão – a atirar a potência também para cima de 1.000 cv. Isto enquanto houver bateria, claro está, que é “curta”. Contudo, parece que não está a ser fácil encontrar o ralentir adequado, nem o cumprimento das emissões regulamentares, o que atrasou a entrega do One em, pelo menos nove meses.

Enquanto isso, a Aston Martin fez saber que o trabalho de desenvolvimento do Valkyrie corria tão de feição que, ainda este ano, o construtor de Crewe previa iniciar os ensaios em estrada. Do lado da Mercedes, a última referência a um “programa intensivo” desta natureza é feita num comunicado de 20 de Setembro, em que a marca informa que é difícil manter a confidencialidade dos testes, devido ao característico ruído de F1… Mas o que é certo é que esses testes ainda se mantêm em circuitos fechados. 1-0, para a Aston Martin, que reforçou a vantagem para dois ao chegar-se à frente desvendando os segredos do V12, sem que este bloco tivesse levantado quaisquer problemas.

Na altura, para além dos impressionantes números, recorda-se que mencionámos que seria interessante saber qual a longevidade do motor. Pois, a Cosworth tratou de esclarecer esse “detalhe”: 100.000 km. Nem mais nem menos do que o dobro do One, que a cada 50.000 terá de ser reconstruído. Será que vamos ficar pelo 3-0?