França

Escritor francês de 50 anos criticado por dizer que mulheres da idade dele são “demasiado velhas”

6.586

Yann Moix disse numa entrevista que o corpo de uma mulher de 50 anos "não é extraordinário de todo" e que se sente "incapaz" de amar uma mulher com esta idade. "Elas são invisíveis", referiu.

Yann Moix é um escritor francês com 50 anos e já foi galardoado com vários prémios, incluindo o Prix Goncourt pelo seu primeiro romance

AFP/Getty Images

“Prefiro o corpo de mulheres mais novas. É tudo. O corpo de uma mulher com 25 anos é extraordinário. O corpo de uma mulher de 50 não é extraordinário de todo”. A frase foi dita pelo escritor e francês Yann Moix, de 50 anos, numa entrevista à revista Marie Claire e está a gerar alguma controvérsia. O também apresentador admitiu que as mulheres de 50 anos são “demasiado velhas” e considera-as “invisíveis” para ele, daí ser “incapaz” de amar uma mulher com esta idade.

“Não me enoja, mas não me chama à atenção nem me vem ao pensamento [as mulheres com 50 anos]. Elas são invisíveis”, referiu Yann Moix à revista francesa, acrescentando que, apesar do seu gosto, não é o tipo de homem “que se pode apaixonar por uma jovem de 25 anos”. “Estou disponível para uma mulher com 40”, esclareceu, sublinhando ainda que prefere mulheres asiáticas, particularmente coreanas, japonesas ou chinesas. “Talvez seja triste e redutor para as mulheres com quem saio, mas o tipo asiático é suficientemente, rico, largo e infinito para não me sentir envergonhado”, explicou.

As afirmações têm gerado alguma polémica em França, e já foram várias as personalidades que reagiram ao gosto particular do autor. Uma jornalista francesa, Colombe Schneck, com 52 anos publicou no Instagram a fotografia de um rabo que diz ser de uma mulher de 52 anos e criticou Yann Moix. “Não sabes o que estás a perder, tu e o teu pequeno cérebro”, disse na publicação que, mais tarde, foi apagada.

A deputada francesa Olivia Gregoire, que foi porta-voz do movimento La République en Marche, do presidente francês Emmanuel Macron, também criticou as declarações do autor através de um tweet. “Muito elegante, Yann Moix. Muito muito elegante. Mas tal como a estupidez e a vulgaridade não têm idade, é reconfortante no caso dele, pois duvido que muitas mulheres queiram [estas qualidades]”, disse Olivia Gregoire.

Também a jornalista ex-mulher de François Hollande, Valérie Trierweiler, dedicou no Twitter uma imagem a Moix, onde se pode ver uma capa do Charlie Hebdo com uma mensagem anti-machismo.

Em resposta à polémica, o autor afirmou que não se arrepende nem retira nada do que disse e lamentou as palavras negativas que tem ouvido. “Cada pessoa é prisioneira dos seus próprios gostos. Eu sou prisioneiro dos meus. Não tira nada a uma mulher de 50 anos que eu não queira dormir com ela”, disse o francê s em declarações à rádio RTL.

Não o vejo como orgulho [o facto de não gostar de mulheres com 50 anos], mas quase como uma maldição. Não tenho culpa. Não somos responsáveis pelos nossos gostos, pelas nossas inclinações”, disse Yann Moix. “Não me arrependo de dizer estas coisas porque elas só me dizem respeito a mim. Adoro quem eu quero e não tenho de responder a nenhuma polícia do bom gosto”, acrescentou ainda.

O escritor, que já foi galardoado com vários prémios, entre os quais o Prix Goncourt pelo seu primeiro romance, considera ainda que esta é uma sociedade que não aceita opiniões diferentes: “Vivemos numa sociedade em que é difícil ser um indivíduo. Temos sempre de representar o cidadão universal…alguém que não desagrada ninguém”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
António Costa

O desnorte do 1.º ministro /premium

Manuel Villaverde Cabral

Tão inquietante ou mais ainda, o líder do PS e os seus parceiros parecem continuar convencidos que o alegado problema do euro é a Alemanha não querer partilhar os seus ganhos com os outros países

PCP

Patrão santo, funcionário posto fora da loja /premium

José Diogo Quintela

Estou chocado. Nunca pensei que o PCP não cumprisse a lei laboral. Mas o PCP está ainda mais chocado: nunca pensou ser obrigado a cumprir a lei laboral. É que escrevê-la é uma coisa, obedecê-la outra.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)