Foi uma das primeiras a fazer a denúncia e é um dos principais rostos do movimento #MeToo contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, que enfrenta várias acusações de assédio sexual. Mas esta quarta-feira, um tribunal deu razão ao magnata e a queixa de assédio sexual interposta em tribunal pela atriz Ashley Judd foi rejeitada.

Segundo explicou o juiz Philip Gutierrez, do tribunal de Los Angeles, as alegações da atriz não têm enquadramento legal na legislação da Califórnia. A queixa por difamação, contudo, onde Judd alegava que Weinstein tinha sabotado propositadamente a sua carreira, teve luz verde e vai avançar.

O processo de assédio sexual já tinha começado por ser rejeitado pelo mesmo juiz, em setembro, mas foi reavivado à boleia de uma mudança na lei estadual da Califórnia. Ainda assim, sem sucesso. Segundo a ação judicial, a atriz terá rejeitado os avanços do produtor e ele terá, em retaliação, prejudicado a sua carreira. Weinstein terá mesmo convencido o realizador Peter Jackson a não chamar a atriz para o elenco de “O Senhor dos Anéis” em 2002, dizendo que era “um pesadelo” trabalhar com ela.

É aí que se encontra a falha legal: é que o juiz Gutierrez diz que o assédio sexual é enquadrado numa relação de trabalho já constituída, e neste caso não havia uma relação laboral efetiva. Weinstein nega, e diz que não teve nenhum papel de influeciador no processo de escolha da equipa para integrar o elenco de “O Senhor dos Anéis”.

O advogado de Weinstein, segundo cita a BBC, aplaudiu a decisão do juiz. “Dissemos desde o início que a queixa era injustificada, e estamos satisfeitos que o tribunal tenha visto as coisas como nós vemos”, disse. O antigo produtor, premiado pela Academia, enfrenta vários processos criminais que envolvem cinco acusações de assédio sexual, incluindo violação.

Ashley Judd é uma das figuras centrais no processo que envolve as acusações de várias mulheres, alvo de condutas abusivas, assédio e agressão sexual, que levaram a Time a eleger o movimento como a figura do ano em 2017.