Óscares

Óscares: confirmações, surpresas e ausências

Eurico de Barros destaca o que já se esperava, o que surpreendeu e o que devia estar mas ficou ausente na lista de nomeações aos Óscares de Hollywood.

"A Favorita": o filme histórico de Yorgos Lanthimos teve 10 nomeações aos Óscares, tantas como "Roma", de Alfonso Cuarón

Autor
  • Eurico de Barros

Desde que, nos últimos anos, as premiações de filmes nos EUA, com os Óscares naturalmente à cabeça, começaram a ser contaminadas e pressionadas pelas diversas componentes da agenda politicamente correcta e pelas causas da moda, que as respetivas listas de nomeados se tornaram mais previsíveis, e apresentam menos surpresas, do que nos tempos em que eram maioritariamente a expressão do “establishment” dos membros da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas. A embaraçosa controvérsia em redor do nome que irá apresentar a cerimónia dos Óscares deste ano, que ainda não foi definitivamente anunciado, mostra bem a confusão que vai lá por dentro. Eis confirmações, surpresas e ausências das nomeações deste ano.

Confirmações: “Roma”, “Black Panther”, “Assim Nasce uma Estrela”, “Vice”, “BlacKkKlansman” — Com 10 nomeações (entre as quais uma de Melhor Atriz e outra de Atriz Secundária, respetivamente para a amadora Yalitza Aparicio e para a única profissional do elenco, Marina de Tavira), “Roma”, de Alfonso Cuarón confirma o seu estatuto de um dos principais favoritos do ano, fazendo a Netflix entrar pela porta grande da história das estatuetas; a Academia mata dois coelhos com uma só paulada graças às sete nomeações de “Black Panther”, distinguindo uma fita toda ela da “diversidade” e recompensando o seu colossal sucesso nas bilheteiras – a contabilidade continua (ainda) a valer muito nos Óscares; as várias nomeações (oito) para “Vice” eram mais do que esperadas, dado ser, e independentemente da sua qualidade, violentamente crítico dos “neocons”, dos Republicanos e da administração de George W. Bush; “Assim Nasce Uma Estrela” (oito nomeações), é um caso clássico de filme talhado à medida para os Óscares: grande sucesso de público e de crítica, num género tradicional, o musical; e quanto a “BlacKkKlansman”, de Spike Lee (seis nomeações), surge como a fita “radical” institucional, e com mochila de mensagem anti-Trump, ideal para constar da lista.

Surpresas: “A Favorita”, Willem Dafoe, Pawel Pawlikowski – A Academia costuma gostar de produções históricas inglesas, mas mesmo assim, poucos esperavam as dez nomeações de “A Favorita”, que incluem as três principais atrizes (Olivia Colman, Emma Stone, Rachel Weisz) para as duas respetivas categorias; Willem Dafoe “intromete-se” na categoria de Melhor Ator pela sua interpretação de Van Gogh em “À Porta da Eternidade”, do também pintor Julian Schnabel (e talvez a expensas de John David Washington em “BlackKklansman”); o autor do magnífico “Guerra Fria” surge também na categoria de Melhor Realizador, além de ter a fita candidata a Melhor Filme Estrangeiro (esta é também a primeira vez que dois dos indicados a Melhor Realizador – Pawel Pawlikowski e Alfonso Cuarón — o são com dois filmes estrangeiros rodados e preto e branco).

Ausências: Robert Redford, Clint Eastwood, Bradley Cooper, Sissy Spacek, Emily Blunt – Dois dos melhores filmes, e das mais notáveis interpretações, de 2018, são “O Cavalheiro com Arma”, de David Lowery, com Robert Redford a despedir-se do cinema enquanto ator, e “Correio de Droga”, de e com Clint Eastwood. Que os multipremiados, mais que consagrados e lendas vivas de Hollywood e do cinema que são Redford e Eastwood não tenham desejado ou sentido necessidade que os seus filmes fossem devidamente promovidos para os Óscares, é natural; que, mesmo assim, a Academia os tenha ignorado por completo, é um lamentável sinal dos tempos; ator e realizador de “Assim Nasce Uma Estrela”, Bradley Cooper foi preterido da segunda categoria, mas surge na primeira, quando, ironicamente, a sua campanha foi apontada essencialmente àquela; Sissy Spacek merecia, de olhos fechados, um lugar em Melhor Atriz pelo seu encantador papel no referido “O Cavalheiro com Arma”;  e a esfuziante Mary Poppins de Emily Blunt em “O Regresso de Mary Poppins” mais do que justificava a sua presença na mesma categoria (Glen Close bem podia ter saltado para lhe dar lugar – só que “A Mulher” é um filme de fundo “feminista”…).

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Cinema

Consumismo cinematográfico

Ana Fernandes

Não estaremos a perder a magia do cinema? E o gosto pelos clássicos que notoriamente influenciaram os filmes que vemos hoje em dia? Estamos a consumir cinema como se de "fast food" se tratasse...

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)