Rádio Observador

Crime

Seixal. Suspeito foi para Pombal depois de matar a sogra e deixou chave do carro (onde estava a filha) a taxista

1.104

Pedro Henriques é suspeito de ter assassinado a filha e a sogra. Na noite de segunda-feira, foi visto em Pombal. Esta manhã, apanhou um táxi para Castanheira de Pera onde viria a ser encontrado morto.

O suspeito que terá matado a sogra e a filha de dois anos foi encontrado morto esta segunda-feira

Pedro Nunes/LUSA

Pedro Henriques, o homem suspeito de matar a filha de dois anos e a sogra no Seixal, terá entregado a chave do carro onde deixou o corpo da criança a um taxista, segundo apurou o Observador junto do mesmo. O suspeito apanhou um táxi em Pombal, no distrito de Leiria, que o levou até Castanheira de Pera onde viria a encontrado morto esta terça-feira.

Horas antes, esta manhã de terça-feira, as autoridades encontraram Lara, a criança de dois anos, dentro do porta-bagagens de um carro junto ao McDonald’s de Corroios, no Seixal. Ao Observador, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal confirmou a ocorrência e acrescentou que o alerta foi dado por volta das 8h30. Segundo o Correio da Manhã, a criança pode ter morrido por asfixia. O suspeito, segundo o mesmo jornal, deixou uma carta no tablier do carro dirigida à ex-mulher e à família, onde lhes atribui a responsabilidade pela tragédia.

Fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse à agência Lusa ter recebido uma chamada pelas 8h25 do “presumível pai” da criança a dar a localização da viatura onde a filha foi encontrada. Enquanto o suspeito esteve em fuga, a mãe e o avô de Lara foram colocadas sob proteção policial.

Pedro pediu a taxista que o deixasse num pinhal e disse que voltava para seguirem para Ansião

O alegado homicídio da filha terá acontecido muito antes. Na noite de segunda-feira, já o suspeito se encontrava em Pombal, onde chegou de comboio, segundo apurou o Observador no local. No dia seguinte, apanhou um táxi na praça junto à estação de comboios e pediu ao condutor que o levasse até Castanheira de Pera. Não se sabe, para já onde é que o suspeito pernoitou.

Chegados ao destino, Pedro Henriques pediu ao condutor que o deixasse junto a um pinhal — onde viria a ser encontrado morto horas depois — e esperasse por ele ali, recordou o taxista, Marco Martins, em declarações ao Observador. Explicou-lhe que precisava de ir a uma casa ali perto mas que voltava pois queria que o taxista ainda o levasse a Ansião, uma vila não muito longe dali. Colocou a chave do carro, onde tinha deixado o corpo da filha, no tablier do táxi, como prova de que voltaria. Mas não voltou.

O individuo é suspeito de ter assassinado a sogra, de 60 anos, à facada, no interior da residência em Cruz de Pau, no concelho do Seixal, tendo de seguida fugido com a filha. A mulher apresentou ferimentos na zona do peito e do pescoço e as autoridades foram alertadas por moradores do prédio, na Rua do Minho, para um caso de violência doméstica, que terminou com o esfaqueamento da vítima. A vítima era proprietária de uma pastelaria no Seixal, onde a vizinhança está a depositar flores em homenagem à mulher e à criança.

A primeira vítima era proprietária da Pastelaria Orly (Foto: CATARINA RODRIGUES/OBSERVADOR)

Apesar de ainda não terem sido confirmados os motivos que levaram ao duplo homicídio, sabe-se que o Tribunal de Família e Menores do Seixal tinha marcado para esta segunda-feira uma audiência para regular as responsabilidades parentais, uma vez que não existia um entendimento entre os pais em relação ao tempo que a filha deveria passar com cada um.

Suspeito foi investigado por violência, mas ex-mulher desistiu da queixa

A ex-mulher de Pedro Henriques chegou a apresentar queixa por coação e ameaça contra o pai da criança, mas acabou por desistir da queixa, avançou o jornal Público e confirmou o Observador junto da Procuradoria-Geral da República. Segundo o Ministério Público (MP), “foi localizado um inquérito em que se investigou um crime de coação e ameaça” no Tribunal do Seixal”, mas “o mesmo foi arquivado por desistência de queixa da ofendida” e não estava classificado como violência doméstica.

Segundo o jornal Expresso, quando Sandra Cabrita fez queixa na PSP de Setúbal de alegadas agressões do ex-marido, a polícia considerou ser um caso de “violência doméstica de risco elevado“. No entanto, o processo foi tratado pelo MP do Seixal como um crime de coação e ameaça.

Depois de saber o que aconteceu, a mãe da menina de dois anos recusou esta manhã sair de uma dependência bancária na Quinta do Conde, em Sesimbra, por medo de ser perseguida pelo ex-marido, diz o Jornal de Notícias. A GNR teve de ser chamada ao local e terá sido nesse momento que Sandra Cabrita soube que o ex-marido foi encontrado morto.

“Ele não tinha trabalho, não tinha casa, não tinha onde estar”

Bárbara Teixeira, de 21 anos, vive no mesmo prédio onde morava Helena Cabrita, no Seixal, com a filha e o marido. Esta segunda-feira acordou, entre as 7h30 e as 8h da manhã, com “um estrondo”, como contou ao Observador: “Estávamos todos a dormir, acordámos com um estrondo a bater. Entretanto ouvi um grito, abri a porta e fui ver às escadas o que se passava”. A mãe da jovem explicou também que viu o suspeito do crime a sair do prédio: “Estávamos nas escadas, ele saiu, deu um safanão e veio pelas escadas abaixo.” E foi aí que chamaram o INEM. “Ele tinha sangue nos sapatos quando saiu, e vimos que havia sangue dentro de casa.”

A jovem contou ainda que quando se dirigiu à janela conseguiu ver o homem já dentro do carro com o bebé de dois anos. “A criança estava no banco ao lado do condutor. Estava apoiada com a cabeça na porta, mas não estava sentada muito direita, parecia desmaiada.”

Bárbara Teixeira e a mãe explicam que nunca ouviam discussões, apenas dando conta de choros do bebé “de vez em quando”. Viam com frequência a avó descer as escadas do prédio com a neta. Quanto a Sandra, “saía muito cedo para ir trabalhar para Lisboa”. Segundo as duas testemunhas, Sandra Cabrita vivia com os pais naquele prédio do Seixal há dois anos. “Acho que as divergências entre o casal aconteciam por causa da custódia da miúda. Ele não tinha trabalho, não tinha casa, não tinha onde estar”, diz Bárbara.

Os percursos e as distâncias percorridas pelo suspeito

Pedro Henriques começou por dirigir-se na segunda-feira à residência da sogra junto à igreja de Cruz de Pau, na Rua do Minho, no Seixal, onde terá cometido o primeiro assassinato. De seguida, e para chegar ao local onde deixou o carro com a filha morta no porta-bagagens, o homem terá percorrido uma distância de cerca de quatro quilómetros até à zona do McDonald’s de Corroios, onde a criança foi encontrada esta terça-feira.

De seguida, e ainda sem haver confirmações de como chegou lá, Pedro Henriques foi encontrado morto em Castanheira de Pera, no distrito de Leiria. O suspeito teve de percorrer uma distância de 250 quilómetros até ao local. De carro, este percurso demora cerca de 2h30.

(Em atualização)

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cbranco@observador.pt
Identidade de Género

Minorias de estimação /premium

Laurinda Alves

No dia em que as casas de banho das escolas forem obrigatoriamente abertas a rapazes e raparigas de todas as idades, as agressões vão escalar e a “pressão dos pares” poderá ser ainda mais perversa.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)