Paris

Coletes amarelos. Marcha pacífica até Paris pede um referendo “sem restrições”

Grupos de coletes amarelos vão marchar até Paris por um referendo "sem restrições". Um manifestante perdeu a mão após a explosão de uma granada no sábado. Vídeo mostra batalha entre coletes em Lyon.

Foi o 13º fim-de-semana com protestos dos coletes amarelos

AFP/Getty Images

Os coletes amarelos do sudeste de França iniciaram este domingo uma “marcha pacífica” até Paris, onde esperam reunir-se com manifestantes de outras partes do país para exigir a realização de um referendo de iniciativa cidadã (RIC) “sem restrições”. Os primeiros passos são dados em Boulou, junto à fronteira com Espanha, por cinco ou seis membros do movimento “coletes amarelos”, enquanto no dia 16 sairá um segundo grupo de Marselha, estando previsto a chegada das duas colunas à capital francesa a 17 de março.

“Estamos em contacto com outros grupos de ‘coletes amarelos’ que sairão da Bretanha (noroeste), Dunquerque (norte), Bordéus (sudoeste) ou Estrasburgo (leste) para que se juntem a nós na capital. Queremos um RIC sem restrições, lutamos pela justiça fiscal e social, ecologia e apoiamos manifestantes que sejam vítimas de violência policial e decisões judiciais abusivas”, disse sexta-feira Sarah Chabut, membro do movimento em Gard, no sul.

O designado movimento dos coletes amarelos, do qual há já pelo menos duas listas às eleições para o Parlamento Europeu, surgiu em França em novembro para contestar o aumento do preço dos combustíveis e a perda de poder de compra dos franceses, alargando-se depois a outras questões.

Desde 17 de novembro milhares de pessoas têm-se manifestado todos os sábados envergando coletes refletores de segurança rodoviária. Algumas dessas manifestações degeneraram em violência, com automóveis e contentores de lixo incendiados e confrontos com as forças policiais, que fizeram pelo menos dez mortos e milhares de feridos.

Homem fica sem mão após explosão com granada em Paris

Um homem perdeu a mão durante os protestos dos coletes amarelos este sábado em Paris quando foi atingido por uma granada de dispersão de gás lacrimogéneo. O manifestante estava a tirar fotografias dos confrontos de outros manifestantes com a polícia quando colocou a mão à frente do rosto para se proteger da granada. Mas a arma acabou por explodir, atingindo-o, avançou a RT.

O homem foi socorrido no local por paramédicos depois de se ouvir uma explosão. Imagens partilhadas no Twitter mostram o protestante com bastante sangue. Segundo relatos de pessoas que testemunharam o incidente, a mão ficou completamente destruída. Ainda não se sabe se a granada foi atirada por algum membro das autoridades ou se pertencia a algum dos manifestantes em conflito com a polícia. A vítima foi transportada para um hospital, avança a AFP.

Cyprien Royer testemunhou o acidente e contou à RT o que aconteceu: “O gajo estava só a ver o que estava a acontecer. A polícia chegou e começou a lançar granadas. Uma granada voou para debaixo dos pés dele e ele tentou instintivamente empurrá-la para longe com a mão. Bateu nela e a granada disparou”. O homem, já ferido, agarrou-se a outras pessoas a pedir ajuda enquanto gritava. “Estava num estado horrível”, descreve Cyprien Royer.

O homem atingido pela granada era um fotógrafo contratado pelo movimento Coletes Amarelos em França e naquele momento estava a trabalhar junto à Assembleia Nacional. O incidente aconteceu quando a polícia e os manifestantes entraram em conflito no 13º fim de semana de protestos. Em dezembro, noutro protesto deste movimento, um manifestante já tinha sofrido um acidente semelhante.

De acordo com dados do Ministério do Interior, cerca de 12 mil pessoas participam nos protestos este sábado. Cerca de quatro mil invadiram as ruas de Paris, enquanto mais multidões se manifestaram em cidades como Marselha, Toulouse e Bordéus. Este sábado, os organizadores do movimento disseram que não dariam mais informações aos polícias em Paris por não quererem ser “cúmplices da violência do governo”. As declarações vieram em resposta a uma série de ferimentos graves sofridos por manifestantes durante confrontos com a polícia.

Confronto entre coletes amarelos: extrema esquerda vs. extrema direita

Mas os conflitos não aconteceram apenas entre polícia e manifestantes. Está a circular nas redes sociais um vídeo que mostra dois grupos de manifestantes em confronto este sábado em Lyon, França. Os dois grupos ocuparam uma rua e dividiram-se para depois começarem a lutar como numa batalha. De acordo com as descrições que têm sido publicadas nas redes sociais, de um lado da barricada estavam os coletes amarelos defensores da extrema-esquerda; e do outros estavam os defensores da extrema-direita.

Nas imagens podem ver-se manifestantes que lançam fumo para a multidão ou que usam bastões e projéteis artesanais como armas. A pessoa que está a filmar o encontro, e que segundo a Lyon Mag se refugiou dentro de uma loja, chega a dizer: “É uma guerra. Eles vão se matar”. Mas, além do homem atingido por uma granada, não há registo de mais feridos graves no 13º fim de semana de protestos.

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