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História

Freira medieval falsificou a própria morte para fugir do convento

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Uma equipa de historiadores da Universidade de York encontrou evidências de que uma freira do século XIV fingiu a própria morte para conseguir voltar à vida secular.

JORGE TORRES/EPA

Uma freira criou um manequim à semelhança do seu corpo para escapar do Convento de São Clemente, em York, no Reino Unido, para, segundo o arcebispo da época, “procurar o caminho da lúxuria carnal”. A investigação da Universidade de York foi revelada pelo jornal inglês The Guardian.

A equipa de investigadores descobriu nos arquivos da universidade uma nota em latim do bispo William Melton, com data de 1318 que dizia: “Para avisar Joan de Leeds, freira da casa de São Clemente de York, que ela deve voltar para a sua casa”.

William Melton traçou ainda o retrato da freira, que considerou ter “uma mente maliciosa que a levou a simular uma doença e que, não temendo pela saúde da sua alma, construiu um manequim com a ajuda de inúmeros cúmplices e malfeitores“, criticando também o facto de ela “não ter tido vergonha por ter um enterro num espaço sagrado e entre a comunidade religiosa da região”.

Depois de simular a morte, Joan de Leeds terá “de uma maneira astuta e nefasta, virado costas à decência” e seguido uma vida de “luxúria carnal e longe da pobreza e da obediência”, descartando os votos que fez aquando da entrada no convento, revelam ainda os registos encontrados no arquivo dos arcebispos de York.

A principal investigadora do projeto, Sarah Rees Jones compara a história a um episódio dos Monty Python — a série de humor mais popular no Reino Unido—, revelando que “os escribas não revelaram se a freira foi ou não devolvida ao convento, ficando assim por apurar o final da história”.

A professora da Universidade de York acrescenta que são vários os casos de elementos ligados à igreja — homens ou mulheres — que fugiam por motivos celibatários, tendo em conta que entraram na vida religiosa numa idade juvenil e mais tarde foram seduzidos pela vida fora do convento.

Sarah Rees Jones destaca ainda que estes registos abrangem o período da Peste Negra, que devastou a Europa entre 1347 e 1351, contendo detalhes sobre a atuação da igreja junto dos doentes infetados com a doença que podem “ajudar a lançar uma nova luz sobre como foi viver esse período e sobre a a forma como a igreja reafirmou a sua autoridade”.

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