Ministério da Cultura

Governo quer expor as obras de arte em reserva dos museus nacionais

Um dos objetivos do plano é definir parcerias com museus regionais e/ou locais para exibir obras de arte em reservas nos museus nacionais que não estejam em exibição.

Como exemplos desta política, indicam as iniciativas mais recentes de colocação de obras de arte da coleção Novo Banco em vários museus regionais

MÁRIO CRUZ/LUSA

O Ministério da Cultura indicou esta quinta-feira à agência Lusa que a exposição de obras de arte provenientes das reservas dos museus nacionais, em museus regionais e locais, faz parte do Plano de Valorização do Interior criado pelo Governo.

A indicação surgiu na sequência de um contacto da Lusa com o gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca, sobre as declarações proferidas pelo ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, na quarta-feira, no parlamento, sobre a criação de um polo do Museu Nacional de Arte Contemporânea numa cidade do interior do país.

Numa resposta enviada por correio eletrónico, elaborada pelos gabinetes da ministra da Cultura e do ministro Adjunto e da Economia, as declarações proferidas no parlamento são enquadradas no Plano de Valorização do Interior, “anunciado, divulgado e consultável online desde julho de 2018”.

Esse plano “envolve todas as áreas de Governo, incluindo naturalmente a Cultura, sob a coordenação do ministro Adjunto e da Economia e do secretário de Estado para a Valorização do Interior”, indica o comunicado.

Um dos objetivos do plano é “identificar obras de arte existentes em reservas nos museus nacionais que não estejam em exibição (e para as quais não existe espaço físico disponível para as expor), definindo parcerias com museus regionais e/ou locais para a sua exibição. É a implementação desta medida que está em análise, aqui se incluindo o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado”.

O que está em causa é dar cumprimento a estas medidas da área da cultura, no quadro das políticas estratégicas deste Governo de descentralização e da valorização do interior”, acrescentam os gabinetes dos dois ministérios.

O anúncio foi feito na quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, respondendo a perguntas do deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira, durante uma audição na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

O ministro foi questionado sobre o ponto da situação “do estudo da deslocalização dos arquivos do Estado para o interior, e quantos polos regionais dos museus nacionais foram abertos no interior, em 2018”.

Pedro Siza Vieira comentou que o deputado se referia a “medidas que constam do Programa de Valorização do Interior”.

“Estamos a trabalhar no sentido de localizar um polo do Museu Nacional de Arte Contemporânea num cidade do interior do país. O trabalho passa por encontrar instalações adequadas e fazer o orçamento de funcionamento”, disse o ministro na resposta.

“A ideia será, mantendo-se a direção artística no quadro do museu nacional, possa, parte do espólio, passar a ter um ponto da exposição permanente noutra região do país”, acrescentou.

Contactada esta quinta-feira pela agência Lusa, Emília Ferreira, diretora do Museu Nacional de Arte Contemporâena-Museu do Chiado, disse não ter conhecimento do projeto.

Na resposta às questões da agência Lusa, os gabinetes dos ministros sustentam: “O que está em causa não é deslocalizar museus, é criar condições em todo o país de acesso à cultura, através de medidas que complementam a oferta cultural entre equipamentos de âmbito nacional e regional”.

“Não se trata de deslocalizar obras de arte em exposição nos museus nacionais, trata-se de deslocalizar obras de arte que estão guardadas em reservas de museus nacionais para museus onde possam estar expostas e sejam visitáveis”, sustentam ainda as duas tutelas no comunicado conjunto.

No plano, são apontados “Polos Regionais de Museus Nacionais” para “avaliar a criação de polos regionais dos museus nacionais nos concelhos dos territórios do interior, em articulação com as autarquias locais, com o objetivo de promover e divulgar as obras dos principais museus do país em regiões onde a oferta e o acesso à arte é escasso”.

Para além de contribuir para aumentar a atratividade e sustentabilidade de equipamentos localizados no Interior, de elevando potencial turístico, mas subvalorizados e subutilizados, valoriza-se ao mesmo tempo os próprios acervos dos museus nacionais, nomeadamente os que não estão expostos ao grande público, e que nestas regiões ganham outra projeção”, segundo o documento.

No âmbito do mesmo plano, o Governo pretende “identificar obras de arte, quer da propriedade do Estado, quer de coleções em que o Estado participa nas decisões de exibição – como é o caso da Coleção Novo Banco – que podem e devem integrar itinerâncias em diferentes museus do país”.

Como exemplos desta política, indicam as iniciativas mais recentes de colocação de obras de arte da coleção Novo Banco em vários museus regionais, e as itinerâncias das obras de arte pertencentes à chamada “Coleção SEC” (Secretaria de Estado da Cultura), em museus na região norte do país, e a exposição recentemente inaugurada em Braga, em parceria com a Fundação de Serralves.

Situado no centro histórico de Lisboa, o Museu do Chiado foi fundado em 1911, como Museu Nacional de Arte Contemporânea, e o seu acervo integra mais de 5.000 peças de arte, num percurso cronológico desde 1850 até à atualidade, incluindo pintura, escultura, desenho, fotografia e vídeo.

Quanto à pergunta do mesmo deputado do PSD sobre os arquivos do Estado, o ministro Adjunto e da Economia disse, no parlamento: “Nós temos demasiados arquivos físicos situados na cidade de Lisboa em vários serviços, no Ministério da Justiça, no Ministério da Saúde, da Segurança Social, e que ocupam um espaço valioso no centro da cidade, e, ao mesmo tempo, a sua mobilização para um espaço no interior, permite, não só libertar esses espaço, mas também criar emprego qualificado nas regiões do interior”.

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