Abusos na Igreja

Cardeal-patriarca admite “reforçar” Igreja portuguesa com meios e pessoas para lidar com abusos sexuais

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D. Manuel Clemente, que representa Portugal na cimeira no Vaticano sobre os abusos sexuais na Igreja, diz que o encontro está "a correr bem" e já leva sugestões para implementar em Portugal.

O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, é presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Enviado especial ao Vaticano

O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que está a representar Portugal na cimeira desta semana no Vaticano dedicada aos abusos sexuais na Igreja, admitiu esta sexta-feira “reforçar” o que é feito pela Igreja Católica em Portugal para prevenir os abusos sexuais e apoiar as vítimas, nomeadamente equipando as estruturas nacionais e locais com pessoas e meios mais bem preparados.

“[Podemos vir a] reforçar aquilo que nós fazemos de acordo com as normas que, com indicação de Roma, nós acertámos em 2012 e que estamos a seguir nas nossas dioceses”, disse D. Manuel Clemente a jornalistas portugueses à saída dos trabalhos da manhã do segundo dia da reunião.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu ainda “algumas sugestões” que foram feitas pelos vários líderes católicos reunidos esta semana em Roma “no que diz respeito a reforçar quer as dioceses quer eventualmente a própria conferência episcopal com pessoas e com meios para atender esta problemática, que é evidentemente complexa, porque é de Igreja, é sociológica, é cultural e é psciológica”.

“São tantos os fatores que quanto mais equipados nós estivermos com meios e, sobretudo, com pessoas, melhor”, acrescentou D. Manuel Clemente.

O cardeal português mostrou-se satisfeito com o decurso dos trabalhos até agora, elogiando “a franqueza e o conhecimento de causa” dos participantes. D. Manuel Clemente destacou ainda a “disponibilidade para acertar, para resolver, para fazer cada vez mais e melhor”, que, garantiu, “é comum” a todos os líderes católicos presentes na reunião.

“É muito bom ver isso, embora sejamos de cinco continentes, há sócio-culturas diferentes, mas, neste ponto de proteger os menores e de reforçar tudo o que se possa fazer nesse sentido, estamos todos empenhado e de acordo e vamos para a frente”, acrescentou.

Sobre a situação em Portugal, quando questionado sobre a possibilidade de fazer uma investigação de âmbito nacional para entender a dimensão do problema dos abusos no país, D. Manuel Clemente disse que, “para já”, a Conferência Episcopal Portuguesa continuará a fazer o que tem nas normas de 2012, “que estão a ser observadas e estão a ser muito eficazes, e depois cada caso que houver ou que tiver havido ou que vier a haver será tratado segundo essas normas e com a melhor vontade”.

Sobre os resultados concretos desta reunião, D. Manuel Clemente garantiu que os assuntos estão a ser tratados “com muita profundidade”, o que está a ser “de um grande enriquecimento” para todos os bispos presentes, mas é necessário esperar “pelas conclusões, sobretudo pela homilia final do Santo Padre”.

O Papa Francisco convocou esta reunião, inédita, após um dos piores anos de sempre para a Igreja no que diz respeito aos abusos sexuais, sobretudo nos Estados Unidos, onde pela primeira vez um cardeal foi expulso do sacerdócio por ter abusado de crianças. Os líderes católicos estão reunidos até domingo para debater a responsabilidade da Igreja na prevenção dos abusos e no apoio às vítimas

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