O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, defendeu esta segunda-feira o envolvimento de todos os moçambicanos no combate à corrupção, considerando fundamental a coragem para denunciar os casos.

“O combate à corrupção não é só um problema do Governo ou dos órgãos de Justiça. É preciso que todos nós lutemos contra este mal, cada um no seu setor”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

Filipe Nyusi falava esta segunda-feira durante o lançamento da obra “A grande corrupção”, do jornalista moçambicano Hélio Felimone.

Para Nyusi, o crescimento dos órgãos de Justiça moçambicanos faz com que mais casos de corrupção no país venham a público nos últimos anos.

“Há quem diz que há muita corrupção agora em Moçambique, não vamos desmentir. Mas também acreditem que o trabalho que está a ser feito está a trazer este fluxo de casos”, disse o chefe de Estado moçambicano, acrescentando que mais casos virão a público nos próximos anos.

Uma das estratégias que o chefe de Estado moçambicano aponta no combate à corrupção é a denuncia: “Gostaríamos que cada um no seu setor em todos momentos denunciasse casos de corrupção”.

Por sua vez, a procuradora-geral da República, Beatriz Buchili, reafirmou o compromisso da entidade que dirige no combate à corrupção, apelando também o envolvimento de todos moçambicanos.

“O combate a este mal não pode ser só preocupação do Governo, procuradores e jornalistas, deve ser um combate de todos”, observou Beatriz Buchili, que exige também que os governantes combatam a corrupção nos seus setores.

De acordo com dados oficiais divulgados esta segunda-feira, o Estado moçambicano perdeu 46 mil milhões de meticais (645 milhões de euros) devido à corrupção nos últimos 10 anos, indicam dados do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC).

Do total desviado de 2008 a 2018, o Estado moçambicano recuperou apenas 96 milhões de meticais (1,6 milhões de euros).

Ao longo dos 10 anos, foram detidas 1.300 pessoas e instruídos oito mil processos-crime por corrupção.

A corrupção está neste momento no centro do debate público em Moçambique, devido a uma onda de detenções relacionadas com o escândalo das dívidas ocultas, um esquema que permitiu a contratação de uma dívida pública de mais de dois mil milhões de euros à margem das contas públicas pelo anterior Governo moçambicano.