Depois do discurso de Paulo Silva, coordenador da comissão distrital do Porto, foi Maria João Moreira, o número dois da lista de 21 de candidatos da Aliança ao parlamento europeu, quem falou. Visivelmente nervosa, a empresária e irmã do edil portuense Rui Moreira começou por dizer que não tem experiência nem envolvimento na vida política, mas que encontrou no novo partido uma lufada de ar fresco. “Este é um projeto que me sensibiliza e entusiasma porque interpreta uma nova forma de fazer política”, num tempo em que, segundo Maria João, “os partidos tradicionais já não respondem aos anseios dos cidadãos”.

A candidata vai agora “debater publicamente” os seus ideais, saindo “do tranquilo anonimato e do espaço da página do Facebook onde hoje é tão fácil opinar, criticar, ridicularizar e desdenhar, mas onde é difícil construir”. Entre muitos e longos aplausos, Maria João Moreira referiu que o novo projeto começa “aqui e agora no combate à abstenção”, recordando a taxa de 66% das últimas eleições europeias. “Estas eleições europeias assumem um carácter diferente das anteriores, porque o projeto europeu chegou a uma encruzilhada”, concluindo que “muitas certezas do sonho europeu se transformaram hoje em inquietações”.

Para o número dois da Aliança na corrida à Europa, há “um desencanto dos cidadãos europeus” e a “necessidade de novas políticas”, pois “não chega distribuir subsídios e promessas com uma mão e com a outra cortar oportunidades”. “Sim, eu quero ser eleita”, deixou bem claro.

Paulo Almeida Sande, cabeça de lista do novo partido português às próximas eleições, foi o protagonista seguinte. Começou a sua intervenção por dizer que “finalmente” existe uma lista nacional de homens e mulheres que representam “várias cidades e não apenas Lisboa”. “Temos uma lista de gente nova e mais velha, mas gente que começa a fazer política pela primeira vez”, afirmou, acrescentando que os candidatos da Aliança “não precisam da política para sobreviver, mas para servir os portugueses”.

O número um de Pedro Santana Lopes às eleições europeias diz já sentir “o medo dos partidos concorrentes” de se “confrontarem” com as propostas da Aliança, pedindo que “não ignorarem as ideias” do novo partido. Dentro de uma semana, no dia 8 de de março na sede em Lisboa, a Aliança apresentará um manifesto com 21 medidas para mudar a relação entre Portugal e a Europa. “São medidas concretas, realizáveis, não são utopias”.

Paulo Sande explicou que os 21 membros da lista “não vão ter um trabalho para dois meses, mas um trabalho para 5 anos”, adiantando que irá ser criada uma nova figura “deputados-sombra”, em que cada um dos candidatos “vai seguir de perto o trabalho de cada um dos eurodeputados portugueses”, tendo como “missão escrutinar o trabalho” de cada um.

Aceitem este desafio e derrubem esta muralha de vidro, dialoguem convosco porque se continuarem a ignorarem-nos serão os portugueses a prestar a atenção”, apelou o cabeça de lista da Aliança aos outros partidos.

Uma outra medida que será apresentada na próxima semana é que na próxima legislatura na Europa “os partidos políticos se comprometam a todos os meses a visitarem uma comunidade portuguesa na diáspora”.

Afirmando que conhece “bem aqueles corredores” do Parlamento Europeu, Paulo Sande diz saber “muito bem o que é preciso fazer” para alterar aquela que acha ser “uma situação inaceitável”, referindo-se ao fato de Portugal ter representantes em Bruxelas que “não dizem aos portugueses o que estão a fazer”. “Façam um exercício de memória e digam o que é que cada um dos atuais 21 deputados já fez. Digam uma grande reforma ou intervenção de algum deputado na Europa que tenha repercussões e importância em Portugal. O que vemos em Portugal não parece representar nada disto”, concluiu.

Eleger três deputados será “uma boa vitória”, diz Santana Lopes

O momento mais aguardado estava prestes a chegar, Pedro Santana Lopes discursava pela primeira vez na sede do Porto do partido que criou. “Diziam que a Aliança era um partido de um homem só. Cada vez mais penso que estou com miragens porque cada vez vejo mais gente”, começou por dizer entre muitos aplausos, realçando que este é um partido “que nasceu para fazer diferente, para fazer igual chegam os que cá estão”.

“É uma lista de gente nova, ninguém pode dizer o mesmo que nós dizemos. Uma lista de gente que não tem tido intervenção na política e isso corresponde aquilo que os portugueses querem.”

Para o líder do novo partido, nas próximas eleições europeias “a vitória pequena será a representação, a vitória média diria eleger dois deputados e uma boa vitória eleger três”. Confrontado com as últimas sondagens que dão a eleição de apenas um nome da Aliança, Santana acredita que “será possível” e garante que vai “trabalhar muito” e “andar um mês pelo país todo”.

Numa Europa “sem uma liderança carismática que se imponha”, Santana diz ser importante “trazer pessoas que nunca estiveram na vida política”. “Esta é uma lista feita de pessoas que não têm tido participação política”, que “não precisam desta caminhada para existirem, para serem alguém ou para garantir o sustento das suas famílias”, disse, sublinhando uma vez mais a “igualdade” de géneros e a distribuição dos candidatos pelas regiões do país.

Para o ex-primeiro ministro, “temos sido bons alunos de mais em Bruxelas”, chamando a atenção para a “demasiada subserviência” portuguesa. Acredita que “Portugal precisa de crescimento económico” e uma das grandes prioridades é aumentar “o nível de vida médio dos cidadãos europeus”, onde o país “está ainda longe da média”.

Em vez de chegarmos a Bruxelas todos sorridentes a dizermos que somos europeus de primeira, temos que dizer que somos de primeira, mas vivemos pior do que vive a media dos cidadãos europeus. Se negociarmos, se batermos o pé e formos firmes, conseguimos.”

Trabalhar em medidas que permitem a economia crescer é um dos grandes reptos da Aliança para a Europa. “Quando mais incompetente é o Estado mais ele tem de se alimentar de impostos para tentar responder as solicitações dos seus cidadãos, e isto é uma pescadinha de rabo na boca da qual é muito difícil de livrar-nos.”

A “abstenção rotineira” também foi apontada pelo líder da Aliança, que diz serem nestas eleições ser “um crime”, e alinha no “exercício de memória” proposto por Paulo Sande, perguntando “o que fica da ação portuguesa no parlamento europeu nas ultimas décadas?”

Nos mandatos mais recentes, os outros partidos quase todos repetem os candidatos. Portanto, partimos do princípio que eles acham que fizeram excelentes mandatos, que correram bem”, começa por refletir. “Há um partido que não renovou, adivinhem, o do governo”, diz sem nunca referir o nome de Pedro Marques, cabeça de lista socialista a estas eleições. “Quem é que eles escolheram agora? Um ministro que passou as últimas semanas a fazer cerimonias que não fez durante anos, já sabendo, com certeza, que ia ser cabeça de lista às europeias. E andou com o primeiro-ministro pelo país a fazer cerimónias a prometer obras, projetos e concursos que se vão fazer depois dele sair”, criticou.

Decidir “sempre pelos mesmos” é algo que Santana rejeita e por isso acredita que “cada um se revolta da forma que quer”. “Eu tomei a atitude que achei que devia tomar. Saí de onde estava, sai sozinho, não falei com ninguém, e vim construir algo novo a partir do zero”, afirmou, sentindo-se com “autoridade” para dizer: “desinstalem-se da rotina, não sigam aquilo que costumam fazer, decidam algo de novo e deem oportunidade a quem é bom”.

As últimas palavras do seu discurso foram dirigidas a Maria João Moreira, número dois na corrida ao parlamento europeu, garantindo que “fosse qual fosse o seu nome [apelido], estaria nesta lista” “Tenho muito orgulho que faça parte desta lista. Não pelo seu nome de família, mas pelo seu percurso e pela sua vida”, diz, acrescentando que Maria João “simboliza a fibra das gentes do norte e de lutadora, que é capaz de atravessar fronteiras e ter sucesso”.

Numa sala repleta de pessoas, onde se cortou o bolo, abriu-se o champagne e entregou-se as chaves da nova sede do partido no Porto, Santana pediu a que cada membro da lista “faça as suas campanhas próprias” e sejam “cabeças de lista nas suas regiões”.

Veja aqui a lista completa dos candidatos da Aliança às eleições europeias:

1. Paulo Sande                           
2. Maria João Moreira             
3. Bruno Ferreira da Costa
4. Daniela Antão
5. João Gonçalves
6. Paula Pacheco       
7. Luís Guerreiro Lopes
8. Maria José Núncio
9. Rui Miguel Ribeiro
10. Joana White
11. João Sardo Bola  ​​
12. Isabel Aguiar
13. António Patrício
14. Cláudia Gonçalves
15. Filipe Saraiva
16. Teresa Louro
17. Pedro Ruas
18. Ana Rosado Fonseca
19. Carlos Silvestre
20. Ana Monteiro
21. Vítor Massena