Estados Unidos da América

Elijah Walker matou os pais. Disse à polícia que eram devotos de Satanás

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Pai do homicida era baterista da banda Aranda. Foi o irmão mais novo que chamou a polícia e disse que era normal o irmão andar armado em casa porque era "paranóico". Família diz que é esquizofrénico.

Michael Walker, 50 anos e baterista da banda de rock Aranda, e a mulher Rachel Walker, seis anos mais nova, foram assassinados pelo filho

D.R.

A chamada telefónica chegou à polícia de Edmond, no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, pelas 2h30 de segunda-feira. Um rapaz de 17 anos relatava que o irmão, dois anos mais velho, acabava de disparar várias vezes uma arma de fogo contra os próprios pais, explicando-lhe que estava “tudo bem” e que de seguida iria enterrá-los.

A polícia deslocou-se imediatamente à casa de onde vinha o alerta. Quando chegou, o suspeito do crime permaneceu dentro de casa enquanto o seu irmão mais novo, que acabara de o denunciar, saía pelo seu próprio pé sem qualquer ferimento. Só depois da polícia anunciar por um altifalante que ali estava e incentivá-lo a sair é o que o homicida saiu de casa, sem armas, e se entregou sem qualquer resistência.

Lá dentro, no interior da casa de família, estavam os corpos já sem vida de Michael Walker, 50 anos e baterista da banda de rock Aranda, e da mulher Rachel Walker, seis anos mais nova.

O relato do que aconteceu naquela noite viria a ser dado às autoridades pelo irmão mais novo e já relatado pelo Washington Post. O rapaz diz que acordou com o som dos disparos da arma de fogo e com os gritos da mãe. Que ela, já ferida, ainda lhe pediu que ligasse imediatamente para o 911 (o número de emergência nos Estados Unidos). O rapaz disse ainda que o irmão mais velho lhe explicou que estava a matar os pais porque tinha “comunicado com eles telepaticamente e que eram devotos a Satanás”, lê-se no depoimento que deu à polícia.

O rapaz contou que no momento em que a mãe lhe pediu que procurasse ajuda, ainda viu o irmão armado. O que à partida costuma ser normal. “Ele avisou que é frequente o irmão andar armado pela casa porque é paranóico”, lê-se no depoimento citado por aquele jornal.

Um porta-voz da polícia disse, no dia seguinte, aos jornalistas que Michael Elijah Walker é o único suspeito do duplo homicídio e que não farão mais detenções.

O casal com os três filhos. O suspeito do homicídio, que se encontra à direita, sofre de esquizofrenia

Continuou a disparar depois da mãe já estar morta

Michael terá descrito às autoridades o que se passou antes de o irmão ter acordado. Segundo ele, tudo começou no quarto quando colocou uma questão aos pais relacionada com Satanismo. Os pais não o terão magoado, mas o rapaz acabou por abrir fogo. O pai ainda o tentou enfrentar, mas ele disparou para “todos os sítios que conseguiu”. O objetivo era atingi-lo. Depois perseguiu a mãe, que ainda se tentou esconder, e disparou várias vezes. Michael ainda foi ao quarto dele recarregar a arma e regressou para perto da mãe, pensando que ainda estava viva. Disse que o som dos disparos lhe estava a ferir os ouvidos, porque faziam demasiado barulho, e foi buscar uma almofada. Encostou-a à cabeça da mãe e voltou a disparar mais do que uma vez. Mais. Referiu à polícia que se tudo voltasse a acontecer, manteria a mesma reação.

Já no final do crime, terá dito ao irmão para não ficar preocupado. Que os pais eram satânicos e que iria enterrá-los.

Família precisa de dinheiro para o funeral

Segundo o Blitz, o pai de Michael era baterista da banda Aranda, que se formou em em 2001, tendo editado desde então um total de três álbuns de estúdio. O último, “Not the Same”, foi lançado em 2015. A banda já lamentou a morte do “colega, irmão e melhor amigo”, como escrevem, na rede social Facebook. Nessa página, já há quem faça apelos de donativos para o funeral do casal.

Os donativos podem ser feitos através do site Gofundme onde uma sobrinha do casal procura angariar 65 mil dólares. No texto que acompanha o pedido, a familiar explica a história desta família. Michael juntou-se a Rachel tinha ela uma filha de quatro anos, que ele adotou. Mais tarde tiveram dois filhos, Isaiah e Eli.

Eli, que tem agora 19 anos e está preso, sofre de esquizofrenia desde os 14 anos. Tem momentos em que vive aterrorizado, mas os pais tentaram sempre “que se sentisse amado” e tentaram de tudo para “acalmar os seus medos e para que ele se sentisse seguro”. A família acredita que ele não tem sequer consciência do que fez. A irmã mais velha está grávida e será mãe em junho. O irmão mais novo está a estudar.

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